O setor cafeeiro brasileiro voltou a enxergar perspectivas no mercado norte-americano após quase dois meses do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Um decreto assinado por Donald Trump no início de setembro incluiu o café entre os produtos que podem ser isentos de tarifas, o que reacendeu o otimismo após gestos diplomáticos recentes entre o ex-presidente norte-americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Assembleia Geral da ONU (AGNU).
Trump afirmou ter tido “uma química excelente” com Lula e mencionou a intenção de se reunir com o líder brasileiro, em encontro que pode ocorrer em breve, segundo a imprensa internacional. A sinalização foi interpretada como positiva por entidades como a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e o Conselho de Exportadores de Café (Cecafé), que veem na aproximação uma oportunidade para destravar negociações comerciais.
O decreto, publicado em 5 de setembro, trata das chamadas “tarifas recíprocas” e lista produtos como café e cacau que podem ser liberados das taxas por não serem cultivados em solo norte-americano. Os EUA, que são os maiores consumidores de café do mundo, justificam que a importação é essencial. Ainda assim, a isenção só será aplicada caso o país exportador firme um acordo comercial com Washington.
Antes da imposição da tarifa de 50%, em agosto, o Brasil era o principal fornecedor de café para os EUA, respondendo por cerca de um terço do mercado. Após a medida, as exportações caíram drasticamente e a Alemanha ultrapassou os norte-americanos como principal destino do grão brasileiro.
Para Pavel Cardoso, presidente da Abic, o decreto reconhece a importância de acordos bilaterais e pode recolocar o café como prioridade nas negociações. Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, reforça que o diálogo entre os governos é fundamental para destravar a pauta e recuperar a participação brasileira no mercado dos EUA.
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