Cuidar do coração não deve começar somente quando surgem os primeiros sintomas. A prevenção das doenças cardiovasculares envolve hábitos mantidos ao longo da vida, como praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e acompanhar regularmente a pressão arterial e os níveis de colesterol. Durante o Setembro Vermelho, especialistas reforçam a importância desses cuidados para reduzir os riscos de problemas cardíacos.
Segundo a cardiologista Carla Suely De Paula, do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol-UFRN/HU Brasil), grande parte das doenças cardiovasculares está relacionada à aterosclerose, processo provocado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. A condição pode levar à doença arterial coronariana, uma das principais causas de morte por problemas cardíacos, além de estar relacionada a outras doenças, como insuficiência cardíaca, arritmias, alterações nas válvulas, AVC e aneurismas.
Entre os fatores de risco que podem ser modificados estão a hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo. Já fatores como idade, histórico familiar e predisposição genética não podem ser alterados, mas exigem atenção e acompanhamento médico para reduzir os riscos associados.
O estilo de vida também exerce influência importante sobre a saúde cardiovascular. Estresse prolongado, excesso de trabalho, noites mal dormidas e distúrbios do sono podem contribuir para alterações que elevam a pressão arterial e aumentam a sobrecarga sobre o coração. A especialista também chama atenção para o uso de cigarros eletrônicos e anabolizantes, hábitos que podem elevar os riscos cardiovasculares e provocar complicações inclusive entre pessoas mais jovens.
A prevenção passa ainda pela prática regular de exercícios e por uma alimentação adequada. As recomendações médicas indicam pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Na alimentação, a orientação é priorizar frutas, verduras, legumes e proteínas magras, reduzindo o consumo de sal, açúcar e gorduras. Esses hábitos ajudam no controle do peso, da pressão e do colesterol e contribuem para diminuir o risco de infarto e AVC.
Os cuidados devem começar cedo, mesmo quando não existem sintomas. O acompanhamento da pressão arterial e do colesterol deve fazer parte da rotina, assim como as avaliações médicas periódicas. Para pessoas com fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardíacas, o acompanhamento precisa ser individualizado. A orientação apresentada pela especialista é de avaliação cardiológica anual a partir dos 40 anos para homens e dos 50 anos para mulheres, especialmente nesses casos.
Identificar rapidamente os sinais de emergência também é fundamental. No infarto, os sintomas podem incluir dor ou pressão no peito, desconforto que se espalha para o braço, pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náusea e sensação de desmaio. No caso do AVC, sinais como dificuldade repentina para falar, perda de força em um lado do corpo, alteração no rosto, problemas de visão, dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio exigem atendimento imediato.
A importância da prevenção aparece na história do aposentado Antonio Ricardo da Silva, de 69 anos. Ele sentiu fortes dores no peito e no braço, acompanhadas de tontura, e foi levado para atendimento médico. Após o diagnóstico de infarto, precisou passar por uma angioplastia com colocação de dois stents e, posteriormente, por outros procedimentos. Ricardo, que tem diabetes, atribui parte da recuperação ao acompanhamento médico e aos hábitos de vida que mantém. A experiência reforça a importância de controlar doenças crônicas, evitar o tabagismo e manter uma rotina saudável.
O Setembro Vermelho é uma mobilização relacionada ao Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro. No Brasil, a campanha foi oficializada pela Lei nº 14.747, de 2023, embora ações de conscientização já fossem realizadas desde 2014. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no país, e a prevenção pode evitar grande parte desses casos. Para a cardiologista do Huol-UFRN, ampliar o acesso à informação ajuda as pessoas a reconhecerem os sinais de alerta e procurarem atendimento com maior rapidez.
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