O SAMU Indígena conseguiu reduzir de 15 para seis minutos o tempo médio entre o acionamento do serviço e a chegada da equipe ao local de uma emergência nas aldeias da reserva indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul.
A iniciativa, criada pelo Ministério da Saúde em agosto de 2025, atende cerca de 25 mil pessoas de três etnias e já contabiliza mais de 2,4 mil ocorrências desde o início das atividades. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
A principal mudança foi a presença de uma equipe própria dentro do território indígena. Antes da implantação do projeto, os atendimentos dependiam do deslocamento de equipes de outras bases do SAMU instaladas no município de Dourados.
Com a nova estrutura, a assistência inicial chega mais rapidamente às comunidades, fator especialmente importante em situações que exigem atendimento imediato, como acidentes vasculares cerebrais (AVC), traumas graves e problemas respiratórios.
O SAMU Indígena é considerado um projeto-piloto no país e busca ampliar o acesso aos serviços de emergência dentro dos territórios indígenas. A iniciativa também pretende melhorar a comunicação entre as comunidades e os profissionais responsáveis pelos atendimentos.
A equipe conta com 14 profissionais, sendo sete indígenas com fluência em português e guarani. O conhecimento sobre o território e a cultura das comunidades contribui para facilitar o deslocamento e a comunicação durante as ocorrências. O serviço atende principalmente as aldeias das etnias Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva e Terena.
Segundo o enfermeiro indígena Everton Nunes Pontes, a participação de profissionais que conhecem a região ajuda a tornar o atendimento mais eficiente. Ele também destaca ações realizadas para orientar as comunidades, unidades de saúde e escolas sobre o funcionamento do serviço e a forma correta de solicitar atendimento.
A presença de profissionais indígenas também favorece o atendimento de grupos como gestantes, crianças e idosos, além de contribuir para uma assistência mais próxima da realidade das comunidades.
O serviço pode ser acionado pelo telefone 192, o mesmo número utilizado pelo SAMU convencional.
Após o chamado, a ocorrência é encaminhada à Central de Regulação de Urgências do SAMU Regional Dourados, que coordena o atendimento.
Depois da avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para uma unidade de saúde ou hospital da região, conforme a gravidade do caso. Quando necessário, também podem ser acionadas equipes de Suporte Avançado ou outros profissionais e ambulâncias disponíveis no município.
Além do atendimento de urgência, as comunidades indígenas da reserva de Dourados contam com uma estrutura de atenção básica própria.
Atualmente, o território possui duas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI), um polo base e um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).
As unidades oferecem serviços de atenção primária, incluindo consultas médicas, atendimento odontológico, pré-natal, ginecologia, pediatria e acompanhamento nutricional.
Também são realizados atendimentos de rotina e ações de vacinação, ampliando a assistência de saúde disponível diretamente às comunidades.
A redução do tempo de resposta do SAMU Indígena representa um avanço no atendimento de emergências nas aldeias de Dourados, especialmente porque permite que a equipe esteja mais próxima da população e preparada para atuar de acordo com as características do território.
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