A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu uma consulta pública para discutir a ampliação da cobertura obrigatória da mamografia digital pelos planos de saúde. A proposta prevê que o exame passe a ser garantido para pessoas de qualquer idade e gênero, desde que haja indicação médica.
Atualmente, a cobertura obrigatória da mamografia digital é restrita a mulheres entre 40 e 69 anos. Caso a medida seja aprovada, a exigência passará a seguir os mesmos critérios da mamografia convencional, que já pode ser solicitada independentemente da faixa etária quando houver recomendação profissional.
Considerada uma das principais ferramentas para o diagnóstico precoce do câncer de mama, a mamografia digital é uma versão mais moderna do exame tradicional e permite identificar alterações mamárias antes mesmo que elas sejam percebidas em exames físicos.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 73,6 mil novos casos de câncer de mama por ano, tornando a doença uma das mais frequentes entre a população.
De acordo com a ANS, a ampliação da cobertura pode facilitar o acesso ao diagnóstico precoce e aumentar as chances de sucesso no tratamento, além de contribuir para a redução da necessidade de procedimentos mais invasivos.
Entre os benefícios da mamografia digital estão a menor exposição à radiação, maior qualidade das imagens, menor tempo de compressão das mamas durante o exame e a possibilidade de armazenamento digital dos resultados, facilitando avaliações futuras e o compartilhamento entre especialistas.
A proposta também prevê a eliminação das restrições relacionadas ao gênero. Dessa forma, qualquer pessoa que receba indicação médica poderá ter acesso ao exame por meio dos planos de saúde.
A iniciativa surgiu após debates realizados na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde), onde especialistas defenderam que a mamografia digital já é amplamente reconhecida como padrão de cuidado no diagnóstico do câncer de mama.
Para a diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Lenise Secchin, os avanços tecnológicos e a consolidação da mamografia digital na prática médica justificam a revisão das regras atuais.
As contribuições para a Consulta Pública nº 173 poderão ser enviadas até o dia 11 de julho. Após a análise das manifestações recebidas, a ANS decidirá sobre a inclusão definitiva da nova cobertura obrigatória no rol dos planos de saúde.
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