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Dengue pode aumentar em até 30 vezes risco de Síndrome de Guillain-Barré, aponta estudo

Pesquisa da Fiocruz indica que infecção eleva chance de complicação neurológica nas semanas seguintes.

redação Por redação
17/04/2026 - 08:00
em Saúde
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Estudo revela que dengue pode elevar em até 30 vezes o risco de Síndrome de Guillain-Barré, destacando a importância da prevenção.

Imagem: nuzeee/Pixabay

A infecção por dengue pode aumentar significativamente o risco de desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma condição neurológica rara e potencialmente grave. É o que aponta um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz Bahia em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine.

De acordo com a pesquisa, pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm um risco 17 vezes maior de desenvolver a síndrome nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, esse risco pode ser até 30 vezes maior.

Apesar do aumento expressivo, os números absolutos ainda são considerados baixos: para cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pessoas podem desenvolver a síndrome. Ainda assim, os pesquisadores alertam que, em cenários de epidemias, o impacto pode ser relevante para os sistemas de saúde.

O estudo, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, analisou dados do Sistema Único de Saúde, incluindo registros de internações hospitalares, notificações de dengue e óbitos.

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Entre 2023 e 2024, foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por Síndrome de Guillain-Barré no país. Destas, 89 ocorreram logo após os pacientes apresentarem sintomas de dengue.

Os pesquisadores destacam a necessidade de incluir a SGB como possível complicação da dengue nos protocolos de vigilância em saúde pública. Segundo o estudo, durante surtos da doença, é fundamental que os serviços de saúde estejam preparados para identificar sinais precoces, como fraqueza muscular e formigamento.

Também é recomendado o reforço na estrutura hospitalar, com disponibilidade de leitos de UTI e suporte ventilatório para casos mais graves.

Diagnóstico precoce é essencial

A Fiocruz ressalta que profissionais de saúde devem considerar a possibilidade de Síndrome de Guillain-Barré em pacientes que tiveram dengue recentemente e apresentem sintomas neurológicos.

O tratamento, que pode incluir imunoglobulina ou plasmaférese, tende a ser mais eficaz quando iniciado rapidamente. Por isso, a notificação dos casos e o acompanhamento adequado são considerados fundamentais.

Atualmente, não há tratamento antiviral específico para a dengue. O manejo clínico é baseado principalmente em hidratação e suporte aos sintomas.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a melhor forma de evitar complicações. Medidas como o combate ao mosquito Aedes aegypti e a vacinação são consideradas essenciais para reduzir a circulação do vírus.

Contexto epidemiológico

O Brasil enfrenta ciclos frequentes de epidemias de dengue. Em 2024, o país ultrapassou a marca de 6 milhões de casos prováveis da doença. Mesmo sendo rara, a Síndrome de Guillain-Barré pode atingir um número significativo de pessoas em períodos de alta transmissão.

A relação entre arboviroses e complicações neurológicas já havia sido observada em epidemias anteriores, como a do vírus Zika, que esteve associada ao aumento de casos de SGB e à microcefalia em bebês.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular progressiva. Em casos mais graves, pode comprometer a respiração e exigir suporte intensivo.

Embora a maioria dos pacientes se recupere, o processo pode ser longo e, em alguns casos, deixar sequelas permanentes.

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Tags: #AedesAegypti#Fiocruz#guillainbarre#Prevenção#SaúdePública#sindromeBrasilDengueDoençasepidemiaMedicinaSaúde
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