O Brasil deu mais um passo para ampliar a capacidade nacional de produção de imunoglobulina, medicamento utilizado no tratamento de pessoas com imunodeficiências, algumas infecções bacterianas e determinados tipos de câncer do sangue. A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a empresa chinesa Tiantan Bio assinaram nesta sexta-feira (2), em São Paulo, um acordo de cooperação para ampliar as fontes de fornecimento do medicamento produzido a partir do plasma humano.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da assinatura e também formalizou uma portaria que estabelece, pela primeira vez, um incentivo financeiro federal mensal destinado aos hemocentros de todos os estados e do Distrito Federal. A medida pretende estimular a qualificação dos serviços e melhorar a estrutura responsável pela coleta, processamento e armazenamento de sangue e plasma.
A parceria com a empresa chinesa prevê a cooperação para o registro no Brasil de uma imunoglobulina humana de uso intravenoso, além do fornecimento do medicamento à Hemobrás e de ações relacionadas ao licenciamento e à transferência de tecnologia. Todas as etapas deverão seguir as exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto os detalhes da cooperação serão definidos em acordos específicos.
O acordo também prevê colaboração para modernizar sistemas e processos da Hemobrás, com iniciativas voltadas à transformação digital, automação e gestão inteligente. A expectativa é ampliar a capacidade tecnológica e produtiva da estatal e contribuir para a segurança no abastecimento de medicamentos derivados do sangue utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Paralelamente, o Ministério da Saúde vem modernizando a estrutura dos hemocentros brasileiros para aumentar a capacidade de processamento e armazenamento do plasma destinado à produção industrial. O plasma contém proteínas e outras substâncias utilizadas na fabricação de medicamentos como imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação.
Com os novos equipamentos e melhorias na infraestrutura, a capacidade de armazenamento de plasma para uso industrial deverá aumentar cerca de 30%. A distribuição dos equipamentos começou em outubro de 2025 e foi concluída em setembro de 2026. A iniciativa faz parte do Novo PAC e busca deixar a hemorrede pública mais preparada para fornecer matéria-prima à Hemobrás.
Outra medida anunciada prevê R$ 38 milhões em recursos do Ministério da Saúde para estimular a melhoria dos serviços de hemoterapia. O repasse terá como referência indicadores como qualidade da gestão, eficiência operacional, capacidade de encaminhamento de plasma à Hemobrás, cobertura dos serviços, aumento das doações voluntárias e redução do desperdício de hemocomponentes.
A rede brasileira de hemoterapia reúne 2.097 serviços em todo o país. Desse total, 1.722 pertencem à rede pública e atuam em atividades como coleta, processamento, armazenamento e distribuição de sangue e seus componentes, garantindo suporte tanto às transfusões realizadas pelo SUS quanto à produção de medicamentos derivados do plasma.
A Hemobrás também prevê a criação de um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, com investimento de R$ 50 milhões do Novo PAC. A estrutura será destinada à pesquisa aplicada, desenvolvimento de processos e avaliação tecnológica de produtos e insumos, com prioridade para biofármacos, medicamentos hemoderivados e outros produtos biotecnológicos considerados estratégicos para o SUS.
Na área de tratamento da hemofilia, a Hemobrás e a Roche também deverão apresentar uma proposta de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo o emicizumabe, medicamento utilizado na prevenção de episódios de sangramento em pessoas com hemofilia A. A iniciativa prevê absorção de tecnologia e produção nacional, ampliando o portfólio da estatal, que já conta com o fator VIII recombinante produzido em Goiana (PE).
Outro projeto envolve a pesquisa de uma terapia genética para hemofilias A e B. A iniciativa reunirá Hemobrás, FarmaVax, unidade EMBRAPII de Inovação de Fármacos e Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), EMBRAPII e Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP). O projeto terá investimento de R$ 5 milhões e duração prevista de 12 meses, com estudos voltados ao uso de nanopartículas para a entrega de material genético.
Com as diferentes iniciativas, o governo pretende ampliar a capacidade brasileira de produzir medicamentos estratégicos a partir do plasma coletado no país, reduzir a dependência de fornecedores externos e fortalecer a infraestrutura de pesquisa, inovação e produção de medicamentos destinados ao SUS.
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