O Congresso do Paraguai aprovou um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos que autoriza a presença temporária de militares norte-americanos no país para a realização de treinamentos, exercícios conjuntos e ações de cooperação em segurança.
A proposta recebeu aval do Senado paraguaio no início de março de 2026 e posteriormente foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Com isso, o governo do presidente Santiago Peña ficou autorizado a permitir a entrada de tropas e equipes técnicas ligadas ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
O tratado segue o modelo conhecido como Status of Forces Agreement (SOFA), utilizado pelos Estados Unidos em diversos países para regulamentar a presença de militares estrangeiros em território aliado. O acordo estabelece regras para atividades de cooperação militar, além de definir direitos e deveres das tropas durante sua permanência no país.
Entre os principais pontos está a autorização para a realização de exercícios militares conjuntos, programas de capacitação para as Forças Armadas paraguaias e cooperação em áreas como combate ao crime organizado, segurança regional e resposta a desastres naturais.
O acordo também prevê facilidades logísticas para a entrada de equipamentos e materiais militares utilizados nos treinamentos. Outro aspecto que chamou atenção no debate político é a previsão de imunidade jurídica para militares e funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos em determinadas situações, o que significa que eventuais processos judiciais ficariam sob responsabilidade da Justiça norte-americana.
Autoridades paraguaias afirmam que a presença militar dos Estados Unidos será temporária e vinculada exclusivamente a missões de cooperação e treinamento, sem previsão de instalação de bases militares permanentes no país.
Especialistas em relações internacionais destacam que a iniciativa reforça a parceria estratégica entre Paraguai e Estados Unidos em um momento de crescente preocupação com segurança regional, especialmente na área da Tríplice Fronteira, região que conecta Paraguai, Brasil e Argentina.
A área é considerada sensível para ações de combate ao contrabando, crime organizado e financiamento de atividades ilícitas. Por esse motivo, programas de cooperação em segurança entre países da região e parceiros internacionais têm sido ampliados nos últimos anos.
Apesar disso, a decisão também despertou críticas de setores políticos e analistas que alertam para possíveis impactos na soberania nacional e no equilíbrio geopolítico da América do Sul.
O debate sobre a presença de militares estrangeiros no continente não é novo, mas voltou ao centro das discussões após a aprovação do acordo, que pode ampliar a presença estratégica dos Estados Unidos na região.
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