O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram na última segunda-feira (15) uma carta aberta direcionada aos líderes do G7, G20 e BRICS. No documento, os dois reforçam a necessidade de acelerar a conclusão das negociações do Acordo sobre Pandemias da OMS, considerado fundamental para fortalecer a resposta global diante de futuras emergências sanitárias.
A mensagem destaca que o mundo continua vulnerável a novas crises de saúde pública e alerta para a possibilidade de uma nova pandemia surgir nos próximos anos. Segundo os autores, a comunidade internacional não pode repetir as falhas observadas durante a pandemia de Covid-19.
“A próxima pandemia não esperará por nós”, afirmam Lula e Tedros na carta, que foi divulgada às vésperas da reunião de líderes do G7.
O documento chama atenção para o atual surto de ebola registrado na República Democrática do Congo e destaca que os riscos sanitários globais permanecem elevados.
De acordo com a carta, estudos científicos indicam que existe uma probabilidade significativa de uma nova pandemia ocorrer ainda na próxima década. Entre os fatores apontados como agravantes estão as mudanças no uso da terra, transformações nos sistemas agrícolas e o avanço acelerado da biotecnologia sem o mesmo ritmo de evolução dos mecanismos de biossegurança.
Os líderes ressaltam que a ameaça não deve ser vista como um cenário distante, mas como uma realidade que exige atenção imediata dos governos.
Ao recordar os impactos da pandemia de Covid-19, o documento destaca que a crise sanitária provocou milhões de mortes em todo o planeta e gerou prejuízos econômicos trilionários.
Para Lula e Tedros, a experiência vivida nos últimos anos demonstrou a necessidade de fortalecer mecanismos internacionais de cooperação, vigilância epidemiológica e compartilhamento de informações para evitar novas tragédias globais.
Os autores defendem que decisões políticas de alto nível são fundamentais para superar os impasses ainda existentes nas negociações do acordo internacional.
Um dos principais pontos abordados na carta é a defesa da equidade no acesso a vacinas, medicamentos e tratamentos.
Segundo os líderes, países que compartilham rapidamente informações sobre novos patógenos devem ter garantias de acesso aos produtos desenvolvidos a partir desses dados. Para eles, além de representar uma questão de justiça internacional, essa estratégia contribui para conter surtos antes que se transformem em emergências globais.
A carta também destaca a importância da conclusão do Anexo de Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS), considerado essencial para a implementação do futuro Acordo sobre Pandemias da OMS.
De acordo com Lula e Tedros, cada atraso na finalização desse mecanismo reduz a capacidade de preparação global diante de novas ameaças sanitárias.
Ao encerrar a mensagem, os líderes fazem um apelo para que a comunidade internacional transforme em ações concretas os compromissos assumidos após a pandemia de Covid-19.
“Fizemos uma promessa aos milhões de vidas perdidas e às famílias que ainda convivem com essa ausência. Precisamos cumprir essa promessa”, conclui o documento.
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