A doença de Chagas, potencialmente fatal e transmitida pelo inseto barbeiro (triatomíneo), pode estar se tornando endêmica nos Estados Unidos, segundo relatório divulgado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
O estudo, publicado na edição de setembro da revista Emerging Infectious Diseases, aponta que a Chagas já é endêmica em 21 países das Américas e que evidências recentes do parasita Trypanosoma cruzi começam a contrariar a classificação de “não-endêmica” para os EUA.
De acordo com o relatório, casos humanos autóctones — adquiridos localmente — foram registrados em oito estados, com destaque para o Texas. Outros estados com ocorrência incluem Califórnia, Arizona, Tennessee, Louisiana, Missouri, Mississippi e Arkansas. O inseto transmissor já foi identificado em 32 estados americanos.
O documento alerta que classificar os Estados Unidos como não-endêmicos perpetua a baixa conscientização e a subnotificação da doença. Estima-se que 280 mil pessoas nos EUA tenham Chagas, muitas delas sem diagnóstico, enquanto no mundo o número chega a 8 milhões.
A transmissão ocorre quando as pessoas coçam ou esfregam as fezes do inseto em feridas, olhos ou boca, permitindo que o parasita entre no corpo. A doença afeta principalmente o coração e o sistema digestivo, podendo causar complicações graves se não tratada.
A doença de Chagas foi descrita pelo médico brasileiro Carlos Chagas em 1909 e permanece um desafio global de saúde pública, exigindo maior conscientização, diagnóstico precoce e vigilância epidemiológica nos EUA e em todo o continente.
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