O open finance completou cinco anos no Brasil e já impacta o dia a dia dos correntistas de forma significativa. O sistema de compartilhamento de dados financeiros entre bancos, empresas e iniciadoras de pagamentos permite, por exemplo, o Pix por aproximação, em que basta aproximar o celular da maquininha para realizar pagamentos sem abrir o aplicativo do banco.
O usuário autoriza o uso de suas informações financeiras, podendo revogar esse consentimento a qualquer momento, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O open finance também possibilitou o lançamento do Pix automático, substituindo boletos. Basta uma única autorização do correntista para cobranças periódicas. O sistema também permite consultar saldos de diferentes contas em uma tela e oferece condições de crédito melhores a bons pagadores, aumentando a taxa de aprovação em até 30%.
Desde abril de 2023, instituições podem compartilhar dados sobre investimentos, câmbio, seguros, previdência privada, capitalização e credenciamento.
Desafios
Segundo a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), o principal desafio do open finance é elevar a taxa de sucesso das transações, atualmente entre 50% e 60%, para patamares próximos aos cartões de crédito e débito (99,5%). Apesar disso, o sistema é considerado mais seguro que os cartões, com casos de fraude raros.
Outro obstáculo é a adesão das empresas. Em 2024, foram registrados cerca de 406 mil consentimentos entre pessoas jurídicas, contra milhões de pessoas físicas. A complexidade de gestão de múltiplas contas e maquininhas, além da necessidade de compatibilizar lançamentos contábeis, são barreiras importantes.
Novidades
O Banco Central pretende lançar em fevereiro de 2026 a portabilidade de crédito via open finance, incluindo operações de crédito consignado, permitindo que correntistas transfiram dívidas entre bancos de forma simplificada, sem depender de aplicativos específicos.
Para empresas de pequeno e médio porte, o open finance representa uma oportunidade de ganhar poder de barganha no crédito, diminuir burocracia e reduzir dificuldades para oferecer garantias. Estima-se que, no futuro, o maior volume de recursos do sistema virá das pessoas jurídicas, responsáveis por movimentar valores mais altos que os indivíduos.
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