A busca por empregos formais com carteira assinada (CLT) voltou a ser prioridade entre os jovens brasileiros. Uma pesquisa realizada pela ONG internacional Generation Brazil revela que 84% dos jovens formados em cursos de qualificação profissional ocupam vagas com direitos trabalhistas e afirmam estar satisfeitos com suas colocações no mercado.
O levantamento, divulgado pela Agência Gov, ouviu 461 ex-alunos formados entre 2020 e 2023. Além dos 84% empregados em cargos CLT, 6% estão em contratos temporários ou por comissão, 4% em estágios remunerados e apenas 3% atuam como autônomos ou empreendedores.
“Podemos dizer que 100% de quem nos procura planeja ter um emprego com direitos trabalhistas”, afirma Andrea Mitsui, diretora-executiva da Generation no Brasil.
A estabilidade financeira e a possibilidade de crescimento profissional são os principais atrativos do modelo CLT para essa geração, que busca oportunidades antes mesmo de cursar o ensino superior. Segundo Andrea, os jovens entendem que empresas estruturadas oferecem mais segurança, progressão de carreira e melhor qualidade de vida.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) reforçam o cenário. Entre janeiro e setembro de 2024, a indústria criou 405 mil novas vagas, e 57,4% delas foram preenchidas por jovens de 18 a 24 anos.
Estabilidade e crescimento
Fundada em 2014 pela consultoria McKinsey & Co., a Generation atua em 16 países e já formou mais de 4 mil brasileiros desde 2015. A ONG aponta que 85% dos formados continuam empregados três anos após o curso, e mais da metade já não ocupa cargos de entrada.
“Os empregos CLT são um caminho poderoso de inclusão para quem enfrenta mais dificuldades de acesso à educação e ao mercado formal”, diz Andrea.
A executiva destaca ainda que muitas empresas parceiras da ONG oferecem planos de carreira e capacitação contínua, o que torna o emprego formal mais atraente. “Não é só o salário de amanhã, é a carreira nos próximos cinco ou dez anos”, resume.
Visão do governo
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, também reforça a importância dos empregos formais. Para ele, a CLT garante direitos e segurança para o futuro.
“A juventude precisa planejar seu aperfeiçoamento profissional. A CLT dá essa garantia — com décimo terceiro, férias e Previdência Social. Na informalidade, não há nada disso”, afirmou.
Marinho defende ainda avanços nas condições de trabalho, como a redução da jornada 6×1 e o fortalecimento das organizações sindicais, para tornar o mercado mais justo e atraente para os jovens.
Empreendedorismo não é prioridade
Embora o empreendedorismo seja valorizado, a pesquisa mostra que a maioria dos jovens ainda prefere empregos com estabilidade e benefícios. Em parceria com uma multinacional e uma plataforma de entregas, a Generation comprovou que profissionais vindos de trabalhos informais conseguiram crescer em novas funções formais, com salário fixo, comissões e planos de carreira.
“As empresas estão mais inteligentes e oferecem flexibilidade, autonomia e benefícios. O mercado evoluiu, e a CLT também”, conclui Andrea Mitsui.
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