A queda da inflação em agosto de 2025 foi mais sentida pelas famílias de baixa renda, segundo o boletim Inflação por Faixa de Renda do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Enquanto o IPCA oficial registrou recuo de 0,11%, o custo de vida para famílias que ganham até R$ 3,3 mil caiu mais de 0,20%. Já os domicílios com renda mensal acima de R$ 22 mil tiveram inflação positiva de 0,10%.
O estudo compara o IPCA, calculado pelo IBGE, com o custo de vida de diferentes faixas de renda, mostrando que as três faixas mais baixas sentiram mais a deflação:
- Renda muito baixa ( R$ 2.202,02): -0,29%
- Renda baixa (R$ 2.202,02 a R$ 3.303,03): -0,21%
- Renda média-baixa (R$ 3.303,03 a R$ 5.505,06): -0,19%
- Renda média: -0,07%
- IPCA geral: -0,11%
- Renda média-alta: 0%
- Renda alta ( R$ 22.020,22): 0,10%
Alimentos e energia elétrica impulsionam queda
Segundo Maria Andreia Parente Lameiras, autora da pesquisa, a maior queda da inflação para famílias mais pobres se deve ao perfil de consumo, com maior peso para alimentos e habitação.
A deflação dos alimentos no domicílio foi acentuada em agosto:
- Cereais: -2,5%
- Tubérculos: -8,1%
- Café: -2,2%
- Carnes: -0,43%
- Aves e ovos: -0,8%
- Leite: -1%
Além disso, a queda das tarifas de energia elétrica, beneficiada pelo Bônus de Itaipu, contribuiu para o alívio no bolso de 80,8 milhões de consumidores, compensando a bandeira tarifária vermelha 2, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.
Para famílias de renda mais alta, a deflação de alimentos e energia foi parcialmente compensada pela alta nos preços de serviços, como alimentação fora de casa e recreação.
Acumulado em 12 meses
No acumulado de 12 meses, a percepção de inflação é maior entre as famílias mais pobres:
- Renda muito baixa: 5,23%
- Renda baixa: 5,33%
- Renda média-baixa: 5,19%
- Renda média: 5,08%
- Renda média-alta: 5,07%
- Renda alta: 5%
O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 5,13%, acima da meta do governo, que é 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, até 4,5%. Segundo o estudo, os principais grupos que pressionaram os preços foram alimentos e bebidas, habitação, transportes e saúde e cuidados pessoais.
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