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Cubatão pede apoio do governo federal para tentar reverter fechamento de fábricas

Prefeitura quer rever política tarifária e acelerar investigações para conter desindustrialização do tradicional polo industrial.

redação Por redação
15/01/2026 - 13:40
em Economia
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Após o fechamento de fábricas históricas, Cubatão pede apoio do governo federal para revisar tarifas, fortalecer a indústria petroquímica e evitar a perda de empregos e arrecadação.

Imagem: Prefeitura de Cubatão/Divulgação

O prefeito de Cubatão (SP), César Nascimento (PSD), decidiu buscar apoio do governo federal após o encerramento das atividades de duas fábricas históricas da cidade em menos de um ano. As unidades pertenciam à petroquímica Unigel e à Yara Brasil Fertilizantes, empresas que atuavam no município há décadas e empregavam centenas de trabalhadores diretos e indiretos.

Nascimento planeja viajar a Brasília acompanhado de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista. A intenção é sensibilizar o governo federal sobre a necessidade de revisar a política tarifária que incide sobre o setor petroquímico, especialmente no que se refere à importação de fertilizantes, além de discutir medidas de estímulo à indústria nacional.

“Vamos solicitar uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para tratar dos reflexos do fechamento de fábricas instaladas na cidade, um problema que Cubatão enfrenta há mais de uma década”, afirmou o prefeito à Agência Brasil. Para ele, a perda de protagonismo do polo industrial cubatense não é apenas uma questão local. “É um fator de enfraquecimento da indústria nacional como um todo”, acrescentou.

César Nascimento, prefeito de Cubatão, quer ajuda do governo federal para reverter fechamento de fábricas na cidade – Foto: Prefeitura de Cubatão/Divulgação

Além disso, o prefeito pretende pedir celeridade na conclusão do processo administrativo aberto pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Mdic, em 2025, que apura a existência de dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro ou aço para o Brasil. Em dezembro de 2025, a secretaria divulgou parecer preliminar confirmando indícios da prática, mas prorrogou o prazo para a conclusão da investigação.

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Paralisações históricas

Após quase 70 anos de operação em Cubatão, a Unigel anunciou, no último dia 8, a paralisação das fábricas de estireno e tolueno. Segundo a empresa, a decisão ocorreu em meio a uma crise sem precedentes da indústria química global, marcada por forte sobreoferta de commodities petroquímicas e queda da demanda internacional.

Em recuperação judicial desde outubro de 2025, a companhia informou que poderá retomar as atividades em Cubatão caso as condições de mercado melhorem, mas destacou não haver perspectiva de reversão no curto prazo. A produção foi concentrada em unidades do Guarujá e de São José dos Campos, que também teve encerramento anunciado recentemente.

Dias antes do fechamento, o prefeito havia manifestado a disposição de conceder isenções fiscais para preservar empregos e arrecadação. Ele também defendeu, no Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), a união dos prefeitos da região para reivindicar incentivos junto aos governos estadual e federal.

Impactos no emprego e na indústria

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), Herbert Passos Filho, lamentou o fechamento das unidades e o esvaziamento do polo industrial. Segundo ele, Cubatão já foi o principal polo produtor de fertilizantes do país e chegou a empregar cerca de 12 mil trabalhadores apenas no setor petroquímico. Hoje, esse número caiu para aproximadamente 3 mil, com tendência de nova redução.

Passos também destacou que o Brasil se tornou cada vez mais dependente de fertilizantes importados, beneficiados historicamente por isenções ou reduções tributárias. Entre 2008 e os dias atuais, a produção nacional caiu de cerca de 11 milhões para 6 milhões de toneladas por ano, enquanto o consumo mais que dobrou.

Competitividade e estímulos

O vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu que a indústria petroquímica brasileira enfrenta dificuldades de competitividade diante da concorrência internacional. Ele citou a retomada do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e a criação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), que prevê mais de R$ 10 bilhões em incentivos fiscais entre 2027 e 2031.

“O Brasil defende o livre comércio, mas com regras. Não promovemos guerra comercial, porém precisamos de instrumentos de defesa comercial para proteger a indústria nacional”, afirmou o ministro.

Em nota, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lamentou o fechamento das fábricas em Cubatão e defendeu a adoção de medidas adicionais para conter o processo de desindustrialização e preservar empregos, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas e de longo prazo.

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Tags: #Cubatão#DefesaComercial#DesenvolvimentoEconômico#EconomiaBrasileira#Petroquímica#PoloIndustrialEmpregosIndústria
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