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Consumo de café cai no Brasil em meio à alta de preços, aponta Abic

Consumo interno recua 2,31% em um ano, mas Brasil mantém posição de segundo maior consumidor do mundo.

redação Por redação
29/01/2026 - 18:37
em Economia
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Consumo interno recua 2,31% em um ano, mas Brasil mantém posição de segundo maior consumidor do mundo.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A alta do preço do café nos últimos anos provocou uma queda no consumo da bebida no mercado brasileiro em 2025. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo caiu 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, em comparação com o mesmo período anterior.

O volume consumido passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 quilos. O recorde histórico de consumo interno foi registrado em 2017, quando o país atingiu 22 milhões de sacas.

Segundo a Abic, os preços ao consumidor subiram 5,8% em 2025, reflexo da forte volatilidade observada nos últimos anos. Nos últimos cinco anos, o preço da matéria-prima acumulou alta de 201% para o café conilon e de 212% para o arábica. No varejo, o aumento chegou a 116%.

Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, o encarecimento do produto é consequência de sucessivas safras prejudicadas por condições climáticas adversas e dos baixos níveis de estoque. “Desde 2021 há um descasamento na cadeia global de oferta e demanda, provocado principalmente por problemas climáticos que afetaram o tamanho das safras”, explicou.

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Para este ano de 2026, a expectativa da Abic é de que não haverá uma queda significativa no preço do café.

Apesar da retração no consumo, a entidade avalia o resultado de forma positiva. “Mesmo com essa leve redução, o consumo brasileiro se manteve resiliente ao longo dos últimos anos, demonstrando que o café é um item essencial para o brasileiro”, afirmou Cardoso.

Mesmo com a queda, o Brasil segue como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, no entanto, os brasileiros superam os norte-americanos, com uma média anual de cerca de 1,4 mil xícaras por pessoa.

Faturamento e expectativas

A redução no consumo interno não impactou negativamente o faturamento da indústria, que cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões. Segundo a Abic, o avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços nas prateleiras.

Para 2026, a expectativa do setor é de maior estabilidade nos preços, diante da entrada de uma safra considerada promissora. No entanto, reduções significativas para o consumidor devem ocorrer apenas no médio prazo, já que os estoques globais seguem em níveis historicamente baixos.

Enquanto isso, a indústria aposta em ações promocionais para manter o consumo. “Mesmo com menor volatilidade, ainda não há espaço para quedas expressivas nos preços. O mercado avalia que serão necessárias pelo menos duas boas safras para uma redução mais confortável ao consumidor”, avaliou Cardoso.

Comércio internacional

Segundo a Abic, o setor ainda busca a redução das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao café solúvel brasileiro. Embora a taxação sobre o café em grão tenha sido suspensa em novembro do ano passado, o café solúvel segue sendo tributado, tema que continua em negociação.

O presidente da entidade também destacou as perspectivas positivas com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que pode ampliar oportunidades para a indústria nacional. “O Brasil responde por cerca de 40% da produção mundial de café, e o acordo traz desafios e oportunidades importantes para o setor”, afirmou.

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Tags: #Abic#Agronegócio#ConsumoDeCafé#PreçoDoCaféBrasilCaféEconomia
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