A COP30, que começou em 10 de novembro e segue até 21 de novembro de 2025, está reunindo líderes de 144 países em Belém do Pará para discutir medidas concretas de enfrentamento às mudanças climáticas. O evento, que tem duração oficial de cerca de duas semanas, reserva a primeira semana para debates técnicos e a segunda para negociações políticas e assinatura de acordos internacionais.
Durante a conferência, um estudo divulgado pela Revista Pesquisa FAPESP chamou atenção para um problema estrutural no Brasil: mais de 85% das cidades brasileiras ainda não possuem planos de adaptação às mudanças climáticas.
A pesquisa, baseada em dados do IBGE de 2021, avaliou 5.569 municípios a partir de 25 indicadores relacionados à habitação, mobilidade, produção de alimentos, gestão ambiental e riscos climáticos. O levantamento resultou na criação do Índice de Adaptação Urbana (UAI), que mede o quanto as cidades estão preparadas para lidar com eventos extremos, como enchentes, secas e deslizamentos.
De acordo com o estudo, apenas 1,4% dos municípios brasileiros obtiveram notas acima de 0,81 em uma escala de 0 a 1. As capitais Curitiba (0,98), Brasília (0,95) e São Paulo (0,89) lideram o ranking de adaptação, enquanto Recife (0,46), Boa Vista (0,54) e Aracaju (0,54) aparecem entre as menos preparadas.
Segundo o climatologista Roger Torres, da Universidade Federal de Itajubá (MG), a diferença entre as cidades não é apenas geográfica, mas também socioeconômica.
“As cidades maiores e mais ricas têm estrutura técnica e recursos para planejar ações. Já os municípios pequenos, que são justamente os mais vulneráveis, carecem de equipes especializadas e orçamento para desenvolver políticas de adaptação”, explica o pesquisador.
O estudo destaca ainda que ter instrumentos de planejamento não significa estar adaptado. É necessário verificar se os recursos públicos estão sendo usados de forma eficaz em obras de prevenção, mitigação e resposta a desastres. Muitos municípios, segundo os pesquisadores, ainda carecem de leis de uso do solo, planos de risco e defesas civis estruturadas.
Em resposta, o governo federal lançou durante a COP30 dois programas voltados ao fortalecimento da capacidade de adaptação local. O AdaptaCidades pretende capacitar gestores municipais e estaduais para elaboração de planos climáticos, beneficiando 260 municípios na primeira fase. Já o projeto AdaptAÇÃO, coordenado pelo Ministério das Cidades, vai selecionar 50 cidades vulneráveis para receber apoio técnico e financeiro direto.
As iniciativas fazem parte da estratégia do Brasil de mostrar, na COP30, o compromisso em fortalecer a governança climática, reduzir desigualdades regionais e aumentar a resiliência das populações frente ao aquecimento global.
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