O espetáculo teatral “Os Irmãos Karamázov”, adaptação do clássico de Fiódor Dostoiévski, retorna ao Rio de Janeiro para uma curta temporada a partir desta quinta-feira (8). As apresentações acontecem de quinta a domingo, nesta e na próxima semana, no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no centro da cidade, com uma proposta inovadora: uma encenação bilíngue, em português e Língua Brasileira de Sinais (Libras), integrada à linguagem cênica.
Diferentemente do modelo tradicional de acessibilidade, a montagem dirigida por Marina Vianna e Caio Blat incorpora a Libras diretamente à encenação. Duas atrizes intérpretes fazem parte do elenco, assumindo personagens e dialogando com os demais atores. Uma das cenas do espetáculo é inteiramente encenada em Libras, envolvendo todo o elenco.
Além da tradução em língua de sinais, a produção oferece outros recursos de acessibilidade. Pessoas com deficiência visual podem entrar no teatro antes do público geral para uma experiência tátil com figurinos e atores. Também está disponível um livro em tecido para leitura em braile, além de protetores auriculares para espectadores com sensibilidade auditiva.
Acessibilidade como eixo criativo
A ideia de integrar a acessibilidade ao processo artístico surgiu com a co-realizadora e produtora do espetáculo, Maria Duarte, após sua experiência em um festival que adotava recursos acessíveis de forma transversal.
“Não queríamos tratar a acessibilidade como uma obrigação ou algo que atrapalhasse a criação. Ela precisava ser uma lente a mais para o espetáculo”, afirmou Maria em entrevista à Agência Brasil. Segundo ela, o objetivo sempre foi construir uma produção cultural pensada para todas as pessoas, respeitando diferentes necessidades e formas de fruição.
Desde o início do projeto, a equipe de acessibilidade trabalhou junto com todo o elenco. Como resultado, o espetáculo conta com as artistas Malu Aquino e Juliete Viana, intérpretes de Libras que atuam diretamente na dramaturgia.
“Elas não apenas traduzem, mas interpretam a obra em Libras, com sensibilidade teatral. É uma linguagem viva, integrada à cena”, destacou a produtora.
Teatros lotados e sucesso de público
Segundo o diretor e ator Caio Blat, todas as apresentações realizadas em 2025 tiveram casa cheia, no Rio de Janeiro, em São Paulo (capital e interior) e em Belo Horizonte. A expectativa é repetir o sucesso nesta nova temporada carioca.
“Existe uma enorme demanda reprimida de público com deficiência que quer viver a experiência teatral. A acessibilidade amplia o alcance e fortalece o teatro”, afirmou o diretor.
Em Belo Horizonte, a parceria com o projeto Acessa BH resultou em uma apresentação para cerca de 1,2 mil pessoas, com o teatro completamente lotado.
Um projeto sonhado por mais de 20 anos
A vontade de montar “Os Irmãos Karamázov” acompanha Caio Blat há mais de duas décadas. O projeto foi desenvolvido junto com Manuel Candeias, responsável pela adaptação do romance para o teatro, com a proposta de transformar o clássico em uma peça popular, com duração máxima de duas horas.“É o romance mais teatral de Dostoiévski. Uma tragédia familiar cheia de conflitos, ação e personagens fortes”, explicou o ator.
Após anos guardado, o projeto saiu do papel com a parceria de Maria Duarte, Luiza e Marina Vianna, sendo viabilizado por editais culturais e apresentado inicialmente no Sesc Copacabana, em janeiro de 2025. “Quando finalmente estreou, foi emocionante. Foram mais de 20 anos sonhando com isso”, relembrou Caio Blat.
Serviço:
- Local: Teatro Carlos Gomes – Praça Tiradentes, Centro do Rio
- Datas: Quintas a domingos, nesta e na próxima semana
- Horários:
- Quintas e sextas – 19h
- Sábados e domingos – 17h
- Ingressos: à venda no site e na bilheteria do teatro
- Bilheteria:
- Quarta – 14h às 19h
- Quinta e sexta – a partir das 16h
- Sábado e domingo – a partir das 14h
- (O teatro abre uma hora antes do espetáculo)
Os irmãos Karamázov
A montagem traz a narrativa para os três dias que antecedem e sucedem o crime central da trama. “Ambientado na Rússia pré-revolucionária, a história acompanha as disputas entre os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha e seu pai, Fiódor Karamázov, em torno da herança da família e do amor pela mesma mulher”, resumiu a produção.
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