O Grupo dos Dez retoma os trabalhos em Belo Horizonte com uma apresentação única do espetáculo Madame Satã, neste domingo (1º), às 20h, no Sesc Palladium. O retorno aos palcos da capital mineira marca um novo momento da companhia, que completa 15 anos de trajetória e reafirma o teatro negro como pilar essencial da cultura brasileira.
Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã integra o projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e apresentação da Petrobras. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados, reunindo espetáculos consagrados, obras inéditas e ações formativas que dialogam com arte, memória e território.
Além da reapresentação de Madame Satã, a programação comemorativa inclui a estreia do novo espetáculo Afroapocalíptico, no dia 13 de março, no Palácio das Artes. A montagem parte da cosmovisão do congado mineiro para criar uma experiência artística imersiva, sensorial e política.
Após enfrentar períodos de suspensão e incertezas no pós-pandemia, o retorno à cidade — que recebeu o espetáculo pela última vez em 2018 — simboliza o desejo do grupo de expandir fronteiras, descolonizar narrativas e reafirmar o teatro negro como elemento estruturante da produção cultural brasileira.
Co-diretor, dramaturgo e coordenador do projeto comemorativo, Rodrigo Jerônimo destaca o valor simbólico da retomada. “Chegar aos 15 anos significa reconhecer tudo o que conquistamos e reafirmar que nosso trabalho só faz sentido quando é coletivo e transformador”, afirma.
A artista e diretora musical Bia Nogueira ressalta que a volta aos palcos reforça a vocação da companhia de fazer da arte um espaço de encontro, escuta e pertencimento. “É potencializar vozes que refletem o Brasil em sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas”, diz.
Terceiro espetáculo do grupo, Madame Satã se inspira na biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com críticas à homofobia, à transfobia e ao racismo, dando visibilidade a personagens historicamente marginalizados. Montado originalmente em 2014, o musical estreou em 2015 e circulou até 2019 por diversas capitais brasileiras, acumulando prêmios como o Brasil Musical 2019 e o Leda Maria Martins 2017.
Criado em 2009, o Grupo dos Dez consolidou-se como referência nacional ao investigar a interseção entre teatro negro e teatro musical brasileiro, inspirado em tradições populares, africanas e indígenas. Ao retomar as apresentações em Belo Horizonte, a companhia reafirma o teatro negro como espaço de memória, formação, pertencimento e construção de novas narrativas comprometidas com a transformação social.
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