O documentário brasileiro “Sagrado”, dirigido por Alice Riff, foi o grande vencedor da 31ª edição do Festival Internacional É Tudo Verdade, ao conquistar o prêmio de melhor longa ou média-metragem nacional. Considerado um dos mais importantes eventos dedicados ao cinema documental no mundo, o festival reforça a visibilidade de produções brasileiras no cenário internacional.
Selecionado por meio do edital Seleção TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o filme também rendeu à diretora o prêmio de Melhor Direção, concedido pela Associação Paulista de Cineastas. O reconhecimento amplia a projeção da obra e evidencia a relevância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do audiovisual no país.
Com 90 minutos de duração, “Sagrado” retrata o cotidiano de profissionais de uma escola pública em Diadema, na Grande São Paulo. A produção apresenta histórias marcadas por desafios sociais, valorização da educação e luta por direitos básicos, como moradia e cidadania. O júri destacou a sensibilidade da narrativa, construída a partir da escuta dos personagens e da forma como transforma a rotina escolar em um retrato social profundo.
A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, afirmou que a premiação confirma a importância da Seleção TV Brasil como instrumento estratégico para o setor. Segundo ela, o reconhecimento veio poucos meses após a divulgação dos projetos contemplados, indicando que a iniciativa segue no caminho de fomentar conteúdos de qualidade e ampliar o acesso do público.
O filme deve integrar em breve a programação da TV Brasil, ampliando sua exibição em rede nacional. A proposta do edital, segundo a direção da EBC, é ir além da exibição, fortalecendo a parceria entre a comunicação pública e os produtores independentes.
Para Alice Riff, o prêmio valoriza não apenas o trabalho artístico, mas também as histórias retratadas. A diretora destaca que o documentário dialoga diretamente com a realidade brasileira, especialmente por abordar experiências comuns relacionadas à educação e à vida escolar.
Ela também ressalta a importância da TV pública na difusão do audiovisual nacional, especialmente diante dos desafios de distribuição enfrentados pelo setor. Segundo a cineasta, iniciativas como a Seleção TV Brasil contribuem para ampliar o alcance de produções independentes e fortalecer a indústria cultural.
Com a vitória no festival, reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, “Sagrado” passa a ser elegível para disputar uma vaga no Oscar, ampliando sua visibilidade internacional. A edição deste ano reuniu 75 produções de 25 países.
A Seleção TV Brasil é considerada o maior investimento já realizado pelo Estado brasileiro para conteúdos destinados à televisão pública, com aporte de R$ 110 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A iniciativa conta com parceria do Ministério da Cultura, da Ancine e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, consolidando a EBC como um dos principais agentes de fomento à produção cultural no país.
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