Um grande cortejo com personagens e sonoridades de reisados, pastoris, maracatus, guerreiros, cavalo-marinho e orquestras sinfônicas e de frevo tomará as ruas do Recife Antigo no próximo dia 14. A ação integra uma prévia inédita do tradicional espetáculo Baile do Menino Deus: Uma brincadeira de Natal, reunindo mais de 300 artistas a partir das 16h.
Pelas ruas, o público encontrará cantores, músicos, bailarinos e personagens da ópera popular, que se unem a agremiações tradicionais do estado — urbanas e rurais — para celebrar as brincadeiras do ciclo natalino e carnavalesco do Nordeste.
De acordo com o diretor do espetáculo, Ronaldo Correia de Brito, o objetivo é aproximar fãs e turistas das expressões populares que marcaram o período festivo da região. “As cantigas de Lapinha e de Pastoril, por exemplo, terminaram se tornando marchas de bloco aqui no Recife”, explica.
Criado por Brito há mais de quatro décadas, o Baile nasceu como contraponto a símbolos estrangeiros importados para o Natal brasileiro, como renas, trenós e neve. O espetáculo, que já atraiu mais de 70 mil pessoas, é reconhecido como Patrimônio Imaterial do Recife.
Tradição e múltiplas referências
O Baile reinterpreta a narrativa bíblica do nascimento de Jesus com liberdade poética, acompanhando a peregrinação de dois brincantes, os Mateus, até a casa onde nasce o sagrado. Durante o percurso, surgem criaturas fantásticas, elementos das tradições afrodescendentes, indígenas e ibéricas, além de desafios simbólicos — como a dificuldade de abrir a porta da casa.
O palco reúne cantigas, danças, rezas, costumes e figuras do folclore nordestino, incorporando referências das matrizes culturais que formam o Brasil. Em 2025, o elenco conta com nomes como o forrozeiro Flávio Leandro e o Maestro Spok, ícone do frevo e do jazz pernambucano.
Segundo o diretor, o espetáculo também dialoga com a cena contemporânea. “Nós somos um espetáculo grandioso. O Recife se vê, se identifica e ama esse espetáculo”, afirma.
Arte popular em destaque
A montagem inclui bailarinos oriundos de escolas populares de frevo e grupos tradicionais de caboclinhos e maracatus, além de artistas de outras expressões urbanas. Um exemplo é o grupo de hip-hop da comunidade do Canal do Arruda, que participa com uma performance de seis minutos — considerada uma das cenas mais marcantes do espetáculo.
Com 42 anos de história e consolidado desde 2003 como “o maior espetáculo natalino do país”, o Baile do Menino Deus traz novidades em 2025, incluindo novas músicas, personagens e textos.
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