Vitória alcançou uma marca histórica na proteção às mulheres: a capital capixaba está há 1 ano e 4 meses (489 dias) sem registros de feminicídio. Enquanto a violência contra a mulher continua a vitimar pessoas diariamente no Brasil, a cidade registrou queda de 67% nos feminicídios em 2024 e não teve nenhum caso em 2025. A última ocorrência ocorreu em 8 de junho de 2024.
O resultado é fruto de políticas públicas integradas que envolvem saúde, educação, assistência social, cidadania e segurança. A Prefeitura de Vitória mantém uma ampla rede de proteção, que inclui o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv), a Casa Rosa, o Botão Maria da Penha e programas de qualificação profissional.
Segundo o prefeito Lorenzo Pazolini, “a combinação de políticas integradas transforma vidas. Mulheres protegidas, crianças com educação de qualidade e famílias amparadas refletem em uma cidade mais segura”.
Educação
Entre 2021 e 2025, o número de escolas municipais em tempo integral cresceu de 4 para 41. Isso permite que crianças permaneçam mais tempo na escola, enquanto responsáveis participam de cursos profissionalizantes e atividades de capacitação oferecidas pela Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid). Os programas promovem autoestima, educação pelo EJA e apoio para romper o ciclo de violência.
Saúde e acolhimento
A Casa Rosa oferece atendimento multidisciplinar — psicológico, médico, social e jurídico — para mulheres e famílias vítimas de violência. Em parceria com o Cramsv, o equipamento auxilia na inserção no mercado de trabalho e acompanhamento psicológico. Desde a inauguração, em outubro de 2021, foram realizados cerca de 16 mil atendimentos.
Segurança
A Guarda Civil Municipal de Vitória atua com patrulhamento preventivo, monitoramento e tecnologia, como o Botão Maria da Penha, que envia a localização da vítima em tempo real à Central da Guarda. Todas as 421 guardas municipais receberam treinamento especializado em atendimento à mulher em situação de violência.
A comandante Dayse Barbosa alerta que a violência não se restringe à agressão física: “Pode ser psicológica, moral, sexual ou patrimonial. É preciso identificar os sinais e acionar a rede de proteção”.
Rede de proteção e participação social
O Cramsv oferece escuta qualificada, orientação jurídica e acompanhamento social. O primeiro atendimento pode ser feito sem agendamento na Casa do Cidadão, de segunda a sexta, das 8h às 17h, pelos telefones (27) 98125-0138 e (27) 3382-5464.
A Prefeitura também promove campanhas comunitárias, como o “Maria da Penha Vai à Cidade”, capacitação de agentes comunitários e parcerias com coletivos femininos, somando mais de 140 mil abordagens e 70 coletivos cadastrados desde 2021.
Qualificação profissional e autonomia
O Programa de Qualificação Profissional garante prioridade a mulheres em situação de violência, promovendo inserção no mercado de trabalho. De 2021 a 2025, 2.452 mulheres participaram dos cursos, com dez empregadas atualmente por meio de parcerias da Semcid. A independência financeira é vista como ferramenta essencial para romper o ciclo da violência.
Educação integral
As 41 escolas de tempo integral oferecem nove horas diárias de atividades, quatro refeições em Cmeis e alimentação completa nas Emefs, com currículo integrado, oficinas temáticas, protagonismo infantil e metodologia voltada ao desenvolvimento integral do estudante.
Vitória se consolida, assim, como referência na proteção à mulher, unindo políticas públicas de acolhimento, segurança, educação e qualificação profissional para garantir dignidade, segurança e autonomia às vítimas de violência.
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