Um relatório elaborado pela Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES) propõe um reajuste de 4,08% na tarifa do Sistema Transcol para 2026. Caso a proposta seja aprovada pelo conselho tarifário, o valor da passagem passará de R$ 4,90 para R$ 5,10 de segunda a sábado. Aos domingos e feriados, a tarifa poderá subir de R$ 4,30 para R$ 4,40.
O documento foi encaminhado aos integrantes do Conselho Tarifário, formado por representantes do governo do Estado, das empresas operadoras do sistema e da sociedade civil. A votação está prevista para esta sexta-feira (9). Se houver aprovação, o novo valor poderá entrar em vigor já a partir de domingo (11).
De acordo com o contrato de concessão do Transcol, os reajustes são realizados anualmente e calculados com base em uma fórmula paramétrica. Nesse cálculo entram custos com mão de obra, combustível, frota de veículos, além de índices de inflação e variações salariais.
No relatório obtido pela imprensa, a Ceturb destaca que, mesmo com o reajuste, a tarifa do Transcol continuará entre as mais baixas das principais regiões metropolitanas do país. Atualmente, capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre praticam valores superiores aos propostos para o sistema capixaba.
Comparativo de tarifas em regiões metropolitanas
Com o reajuste, o Transcol passaria a custar R$ 5,10. Em Salvador e Natal, a passagem é de R$ 5,20. No Rio de Janeiro, o valor chega a R$ 5,95. Curitiba cobra R$ 6,00, São Paulo R$ 6,35, Florianópolis R$ 6,50, Belo Horizonte R$ 8,95 e Porto Alegre R$ 10,10.
Como podem ficar as tarifas
Durante a semana: de R$ 4,90 para R$ 5,10
Domingos e feriados: de R$ 4,30 para R$ 4,40
Bike GV: de R$ 2,45 para R$ 2,55
Após a divulgação do relatório, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) se posicionou contra o reajuste. Para a entidade, o modelo de funcionamento do conselho tarifário favorece aumentos que beneficiam as empresas operadoras do sistema.
O coordenador-geral do DCE, Pedro Lucas Fontoura, afirmou que a composição do conselho e o período de votação dificultam a participação popular. Segundo ele, parte significativa dos estudantes está em período de férias, o que limita a mobilização e o debate público.
Em nota encaminhada à Ceturb, o DCE argumentou que qualquer aumento tarifário tem impacto direto no orçamento das famílias de menor renda, sobretudo quando somado a outros reajustes de serviços essenciais. A entidade também criticou a análise comparativa entre capitais, defendendo que o debate avance para alternativas de financiamento que permitam caminhar em direção à tarifa zero.
O movimento estudantil informou ainda que pretende solicitar que as reuniões do conselho tarifário sejam abertas ao público ou transmitidas de forma online, ampliando a transparência do processo de definição dos reajustes.
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