Uma investigação conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil de Mato Grosso, apontou que uma família de missionários evangélicos teria utilizado a atuação religiosa em presídios para manter contato com integrantes do Comando Vermelho. As informações foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (13).
De acordo com os investigadores, Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais dela, os pastores Nivaldo e Orminda de Almeida, teriam se aproveitado da autorização para prestar assistência religiosa dentro das unidades prisionais para se aproximar de pessoas ligadas à facção.
A suspeita é de que os encontros nos presídios não se limitavam às atividades religiosas. Segundo a investigação, o acesso às unidades teria servido para transmitir mensagens, estabelecer contatos com integrantes da organização criminosa e auxiliar na movimentação de recursos financeiros.
Os investigadores também afirmam que contas bancárias teriam sido utilizadas para ocultar ou movimentar valores relacionados ao tráfico de drogas. A prática, segundo a polícia, faria parte de um esquema destinado a dificultar o rastreamento do dinheiro pela fiscalização e pelas autoridades.
Durante o trabalho de investigação, a polícia reuniu áudios, vídeos e fotografias que, segundo os investigadores, mostram Rhavenna com armas, joias, veículos de alto valor e grandes quantias em dinheiro. Um dos bens citados é um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil.
Ainda de acordo com a apuração, o veículo seria ligado a Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho. Ele teria deixado Mato Grosso e fugido para o Rio de Janeiro em setembro de 2024.
A investigação também aponta que Rhavenna teria mantido relacionamentos com integrantes da facção, entre eles Renildo Silva Rios, citado como um dos fundadores da organização criminosa em Mato Grosso. Para os investigadores, esses vínculos teriam contribuído para a aproximação da família com integrantes do grupo.
Diante das suspeitas, a Justiça de Mato Grosso determinou que Rhavenna e os pais dela não podem mais realizar atividades de assistência religiosa dentro de presídios. Os três foram indiciados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa dos investigados nega as acusações apresentadas pela polícia.
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