A Guarda Civil Municipal de Vitória intensificou o combate a pichações com referências a facções criminosas e já coordenou a remoção desse tipo de inscrição em 20 pontos diferentes da capital em apenas dois meses. A força-tarefa reúne diversos setores da Prefeitura e atua em muros, quadras, praças, escadarias e outros espaços públicos municipais para eliminar marcas associadas ao crime organizado.
A iniciativa vai além da limpeza urbana e da preservação do patrimônio público. Segundo a Secretaria de Segurança Urbana, esse tipo de pichação é tratado como um indicativo de domínio territorial por grupos criminosos, usado para intimidar moradores, marcar áreas de influência e reforçar a presença de facções em determinadas comunidades.
De acordo com o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, a retirada rápida dessas inscrições tem efeito direto na sensação de segurança da população e ajuda a impedir a naturalização de símbolos ligados ao crime no espaço público.
Sempre que as equipes da Guarda identificam pichações com esse perfil, seja durante patrulhamento, monitoramento ou por denúncias, o local passa a integrar um mutirão coordenado pelo município. A ação envolve a Guarda de Vitória, que faz o levantamento dos pontos, e equipes da Central de Serviços, responsáveis pela limpeza, pintura e manutenção dos espaços afetados.
Dependendo da situação encontrada, outros órgãos da administração também são acionados para reforçar a intervenção, com serviços como melhoria da iluminação pública, recuperação de estruturas urbanas e reorganização do ambiente para reduzir o risco de reincidência.
A comandante da Guarda de Vitória, Fabiana Gonçalves, afirma que a permanência desse tipo de inscrição pode ampliar o medo de moradores e comerciantes, principalmente em regiões já marcadas por vulnerabilidades sociais. Segundo ela, a remoção rápida impede que a paisagem urbana seja usada como instrumento de ameaça ou propaganda criminosa.
A comandante também reforça que pichação é crime e não deve ser confundida com grafite, manifestação artística permitida quando autorizada. Pela legislação, a pichação pode ser enquadrada como crime ambiental, com previsão de detenção e multa.
Além da força-tarefa contra pichações, a Guarda de Vitória destaca outras frentes de atuação voltadas à segurança pública. Somente em 2026, a corporação já realizou 124 blitze, recuperou mais de 63 veículos, deteve 55 suspeitos e cumpriu 93 mandados de prisão. No mesmo período, também atendeu cerca de 9,2 mil chamados recebidos por meio do Ciodes 190.
A estrutura de atuação da Guarda inclui monitoramento por câmeras, capacitação permanente do efetivo e trabalho de inteligência. Atualmente, Vitória conta com 1.158 câmeras espalhadas pela cidade, usadas no acompanhamento do fluxo viário e no apoio às ocorrências de segurança.
Os resultados também aparecem nos indicadores criminais. Entre janeiro e maio deste ano, Vitória registrou queda de 28% nos crimes de mortes violentas e redução de 19% nas mortes no trânsito, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os roubos de veículos recuaram 21%, enquanto os roubos de celulares caíram 28%. Já os casos de assaltos no transporte coletivo tiveram redução de 60%, segundo dados do Observatório de Segurança Pública.
Com a ampliação das ações integradas, a Prefeitura de Vitória busca não apenas retirar marcas ligadas ao crime das ruas, mas também reforçar a ocupação dos espaços públicos pela população e ampliar a sensação de segurança em diferentes bairros da capital.
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