Os acidentes envolvendo escorpiões continuam sendo uma preocupação constante para a saúde pública no Espírito Santo. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, esses incidentes não acontecem apenas em determinadas épocas do ano. Especialistas alertam que o risco está presente durante todos os meses, exigindo atenção permanente da população.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Espírito Santo ocupa a oitava posição entre os estados brasileiros com maior taxa de incidência de acidentes escorpiônicos. Somente entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 2.249 casos, sem nenhuma morte. Em 2025, o Estado contabilizou 6.576 ocorrências e dois óbitos relacionados a picadas de escorpião.
O alerta é reforçado pelo médico Nixon Souza Sesse, referência técnica em animais peçonhentos do Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Espírito Santo (CIATOX-ES), vinculado à Secretaria da Saúde (Sesa).
Segundo ele, embora os casos aumentem nos períodos de temperaturas mais elevadas, os escorpiões permanecem ativos durante todo o ano.
“No Espírito Santo, os acidentes são registrados em todos os meses. Os períodos mais quentes favorecem o aumento das ocorrências, mas não existe uma estação específica para reprodução ou aparecimento desses animais”, explica o especialista.
Reprodução favorece proliferação
Um dos fatores que contribuem para a rápida expansão dos escorpiões é a forma de reprodução de algumas espécies, especialmente o escorpião-amarelo, considerado o principal responsável pelos acidentes graves no país.
A espécie possui capacidade de reprodução partenogenética, um processo biológico em que as fêmeas conseguem gerar filhotes sem a necessidade de fecundação por machos.
Essa característica acelera significativamente a multiplicação dos animais e facilita sua adaptação aos ambientes urbanos.
Além disso, cada fêmea pode produzir dezenas de filhotes ao longo da vida, ampliando rapidamente a população da espécie em áreas residenciais e urbanizadas.
Escorpiões estão cada vez mais presentes nas cidades
De acordo com especialistas, fatores como crescimento urbano desordenado, alterações ambientais e mudanças climáticas têm favorecido a presença dos escorpiões em áreas urbanas.
Locais com acúmulo de entulho, lixo, restos de construção e presença de baratas — principal alimento dos escorpiões — tornam-se ambientes propícios para a proliferação desses animais.
Por isso, a adoção de medidas preventivas deve ser contínua, independentemente da época do ano.
Em situações de acidente com escorpião, a orientação é manter a calma e afastar a vítima do local onde o animal foi encontrado.
O médico Nixon Souza Sesse destaca que os primeiros cuidados incluem:
- Lavar imediatamente o local da picada com água e sabão;
- Procurar atendimento médico o mais rápido possível;
- Utilizar compressas mornas para aliviar a dor, desde que isso não atrase a ida a uma unidade de saúde.
A avaliação médica é fundamental para identificar a gravidade do caso e, quando necessário, indicar a aplicação do soro antiescorpiônico.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Espírito Santo (CIATOX-ES) funciona em regime de plantão permanente e presta orientações gratuitas à população e aos profissionais de saúde.
O serviço conta com equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros e farmacêuticos especializados em intoxicações e acidentes com animais peçonhentos.
O atendimento está disponível 24 horas por dia pelo telefone:
- 0800 283 9904
- Como prevenir acidentes com escorpiões
Especialistas recomendam algumas medidas simples que ajudam a reduzir o risco de acidentes:
- Instalar telas em ralos, pias e tanques;
- Vedar frestas, rachaduras e buracos em paredes e pisos;
- Manter o lixo acondicionado corretamente;
- Evitar acúmulo de entulhos, folhas secas e materiais de construção;
- Utilizar luvas e calçados fechados durante atividades de jardinagem e limpeza;
- Sacudir roupas, toalhas e sapatos antes de utilizá-los;
- Manter camas e berços afastados das paredes;
- Evitar que roupas de cama fiquem em contato com o chão.
A preservação de predadores naturais dos escorpiões, como corujas, sapos, lagartos e algumas aves, também contribui para o controle da população desses animais.
População deve comunicar aparecimento de escorpiões
Sempre que houver identificação de escorpiões em residências, comércios ou ambientes de trabalho, a recomendação é informar a Vigilância em Saúde do município para que sejam adotadas medidas de monitoramento e controle.
A população também pode consultar os locais de atendimento com disponibilidade de soro antiveneno por meio da plataforma oficial da Secretaria da Saúde do Espírito Santo.
A conscientização, a prevenção e a busca rápida por atendimento médico continuam sendo as principais ferramentas para evitar complicações e reduzir os riscos associados aos acidentes com escorpiões.
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