A crise financeira da Prefeitura de Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo, começa a ameaçar a sustentação política do prefeito Dorlei Fontão (PSB). O pedido de R$ 72 milhões em crédito adicional para reforçar o orçamento municipal acirrou as críticas na Câmara de Vereadores e aumentou o risco de o governo perder sua maioria no Legislativo.
A preocupação vai além das contas de 2026. Durante sessão extraordinária realizada na quarta-feira (21), vereadores alertaram para o comprometimento das receitas municipais e questionaram a capacidade da administração de manter despesas essenciais nos próximos anos.
O vereador Tércio Jordão (Podemos) chamou atenção para a situação da folha de pagamento. Segundo o parlamentar, a arrecadação própria prevista para 2027 poderá ser insuficiente para cobrir os salários dos servidores municipais, cenário que coloca em dúvida a sustentabilidade das despesas da Prefeitura.
O alerta ocorre em meio às dificuldades financeiras atribuídas à administração, incluindo o risco de atrasos nos pagamentos a fornecedores e prestadores de serviços.
O vereador Bartholomeu Gomes também fez duras críticas à gestão dos recursos públicos. Ele questionou gastos que, segundo sua manifestação, chegam a R$ 750 milhões, enquanto o município ainda enfrenta problemas de infraestrutura.
Bartholomeu também abordou o corte de bolsas de estudo, contrapondo a redução de benefícios à população ao volume de despesas da administração.
Os questionamentos ganham peso em um município conhecido pela elevada arrecadação de royalties do petróleo. A situação levanta dúvidas sobre o planejamento financeiro e a capacidade da Prefeitura de transformar os recursos disponíveis em serviços e investimentos para a população.
Alerta de 2027 sombrio para as contas do município
Tércio Jordão fez um dos alertas mais contundentes durante a sessão extraordinária. Ao comentar a situação das contas municipais, afirmou que a administração enfrenta um cenário financeiro preocupante.
“Nós estamos à beira de uma falência”, declarou.
Segundo o parlamentar, empresários relatam atrasos nos pagamentos desde janeiro, enquanto a Prefeitura continua utilizando recursos de uma reserva que, conforme sua manifestação, teria sido constituída para garantir o pagamento de salários até 2040.
“É o único recurso próprio para pagar folha de pagamento que nós temos e está simplesmente sendo jogado ao vento”, criticou.
Tércio também demonstrou preocupação com o próximo exercício financeiro e advertiu sobre o risco de atrasos na folha de pagamento em 2027.
“O ano de 2027 será o ano mais temeroso dentro da administração pública. O que fico mais impressionado é com a falta de planejamento”, afirmou.
Governo gastou R$ 70 milhões, diz vereador
O vereador Bartholomeu Gomes também fez duras críticas à administração de Dorlei Fontão, questionando o aumento do orçamento municipal e a falta de soluções para problemas antigos de infraestrutura.
“Ano passado, de 2025 para 2026, votamos um orçamento de R$ 450 milhões e chegou a R$ 750 milhões e nada foi resolvido”, afirmou.
O parlamentar citou problemas de saneamento em Morobá, Campo Novo e Jaqueira, além das condições da orla de Morobá, onde, segundo ele, postes apresentam sinais avançados de corrosão.
Bartholomeu também questionou os gastos com abastecimento de água na Praia das Neves e criticou o corte de bolsas de estudo.
“Gastaram milhões para solucionar o problema de água na Praia das Neves e não solucionaram”, declarou.
Ao relacionar as despesas municipais ao novo pedido de crédito adicional encaminhado à Câmara, o vereador cobrou explicações sobre a aplicação dos recursos.
“Para onde foi esses R$ 750 milhões, chegando ao ponto de pedir R$ 72 milhões?”, questionou.
As declarações reforçam as críticas de Tércio Jordão à situação financeira do município e ampliam a pressão política sobre o prefeito. Os valores e problemas apontados pelos vereadores devem ser apresentados na reportagem como afirmações dos parlamentares, sujeitos à confirmação documental e à manifestação da Prefeitura.
Risco de perda da maioria amplia crise política
O desgaste nas contas públicas já provoca reflexos na relação entre o Executivo e a Câmara. Com vereadores demonstrando insatisfação, cresce a possibilidade de uma reorganização das forças políticas no Legislativo. O cenário pode comprometer a maioria governista e abrir caminho para que a Presidência da Câmara seja ocupada por um parlamentar crítico à administração.
Se essa mudança ocorrer, Dorlei Fontão poderá enfrentar maior resistência na aprovação de projetos e uma fiscalização mais rigorosa sobre contratos, despesas e execução orçamentária.
A Câmara tem competência para solicitar documentos, fiscalizar a aplicação dos recursos e encaminhar eventuais irregularidades aos órgãos de controle, conforme suas atribuições legais.
A crise já havia sido abordada pelo Giro Capixaba em reportagens sobre pedidos de reforço orçamentário encaminhados pela Prefeitura, com valores que chegaram a aproximadamente R$ 100 milhões.
É importante destacar que a abertura de crédito adicional não representa, necessariamente, a contratação de empréstimo ou a comprovação de falta de dinheiro em caixa. A dimensão das dificuldades financeiras depende da análise das receitas, despesas e obrigações efetivamente registradas pelo município.
O fato político, entretanto, é que a pressão sobre o orçamento está enfraquecendo a relação do prefeito com parte dos vereadores. Sem recuperar a confiança da Câmara e esclarecer a situação das contas, Dorlei Fontão poderá enfrentar um período de instabilidade ainda maior.
O Giro Capixaba mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Presidente Kennedy sobre os questionamentos apresentados pelos parlamentares.
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