Responsável por salvaguardar a história de Vitória, o Arquivo Público Municipal desempenha um papel fundamental na preservação de documentos que registram a trajetória da capital capixaba. Com a aplicação de técnicas científicas, o espaço conserva desde publicações oficiais, jornais e manuscritos até projetos arquitetônicos e registros fotográficos, garantindo a integridade de materiais que ajudam a contar o passado da cidade.
Além das atividades de classificação, manuseio e armazenamento, o Arquivo também atua na produção de conhecimento sobre memória e preservação documental. Esse trabalho, muitas vezes discreto, tem impacto direto na valorização da história local e na formação de pesquisadores.
A relevância dessas atividades despertou o interesse do professor doutor Luiz Carlos da Silva, responsável pela disciplina Preservação de Documentos no curso de Arquivologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ele conduziu uma visita técnica ao Arquivo acompanhado por 16 estudantes, que puderam conhecer de perto as instalações, os tipos de acervo e os métodos utilizados na conservação dos documentos.
Durante a visita, os alunos tiveram acesso a registros históricos raros, incluindo uma carta datada de 23 de outubro de 1646. O documento, emitido em nome do rei Dom João IV, orientava o envio de donativos para abastecimento de embarcações que transitavam entre o Rio de Janeiro e a Bahia. O texto foi redigido pelo secretário Affonso de Barra Caminha, sob ordens do então vice-rei do Brasil, Jorge de Mascarenhas, o Marquês de Montalvão.
Integração entre teoria e prática
A programação começou com uma apresentação no auditório da Escola de Governo, onde foram detalhadas as técnicas de preservação e as estratégias utilizadas para reduzir os impactos do tempo nos materiais físicos. Em seguida, os estudantes percorreram as dependências do Arquivo, acompanhando de perto as rotinas de conservação e organização do acervo municipal.
De acordo com o arquivista Ewerton Silva Nicolau, responsável técnico pelo espaço, a experiência marcou um avanço na formação dos alunos. Ele destacou que foi a primeira vez que estudantes da disciplina puderam vivenciar, de forma estruturada, o cotidiano de profissionais que atuam diretamente na preservação documental, ampliando a compreensão sobre os desafios da área.
Outro ponto abordado durante a visita foi o uso da digitalização como ferramenta complementar. Embora não substitua os documentos originais, o processo contribui para preservar as informações em caso de deterioração do suporte físico, especialmente em materiais mais sensíveis, como o papel.
Desafios da preservação histórica
Entre os itens que mais chamaram a atenção dos estudantes estão os exemplares de jornais do início do século XIX. Produzidos com papel de baixa qualidade e alta concentração de lignina, esses materiais tendem a se deteriorar rapidamente quando expostos à luz e ao oxigênio, tornando-se amarelados e frágeis.
Para evitar danos, o Arquivo adota medidas rigorosas de conservação, como armazenamento em ambientes escuros, controle de temperatura e umidade, além da eliminação de materiais metálicos como clipes e grampos, que podem acelerar o processo de corrosão.
Segundo integrantes da equipe técnica, esses cuidados são essenciais para prolongar a vida útil dos documentos e garantir que continuem disponíveis para consulta e pesquisa.
Espaço de pesquisa e produção de conhecimento
O Arquivo Público Municipal de Vitória também se destaca como um importante centro de pesquisa, sendo frequentemente procurado por estudantes, historiadores e profissionais de diversas áreas. A visita técnica reforçou o papel do local como um verdadeiro laboratório de práticas arquivísticas, onde o conhecimento acadêmico se conecta diretamente com a realidade profissional.
Realizada no dia 15 de abril, a atividade evidenciou a importância da abertura de instituições públicas para a formação educacional. Ao receber estudantes e pesquisadores, o Arquivo reafirma sua função como um espaço ativo de construção do saber, onde a preservação do passado contribui para o entendimento do presente e a geração de novas descobertas.
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