A judoca Rafaela Silva afirmou que suas conquistas no esporte se tornaram uma forma de inspiração para novas gerações de atletas. A declaração foi feita durante um evento sobre equidade de gênero e desenvolvimento social realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
A atleta participou do debate ao lado da também integrante da Seleção Brasileira de Judô, Jéssica Pereira. A conversa ocorreu na última quinta-feira (12) e integrou atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
Durante a discussão, as judocas compartilharam experiências sobre carreira esportiva, os desafios para permanecer no alto rendimento e o preconceito social e de gênero enfrentado ao longo da trajetória.
História de superação
Hoje com 33 anos, Rafaela Silva contou que iniciou no judô aos 5 anos por meio de um projeto social na comunidade da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Antes disso, tentou jogar futebol, mas acabou desistindo por ser a única menina nas aulas.
Segundo ela, encontrou no judô um ambiente mais acolhedor, onde meninos e meninas treinavam juntos.
Já Jéssica Pereira, de 31 anos, começou no esporte aos 7 anos. Natural da Ilha do Governador, próxima ao Morro do Dendê, também no Rio de Janeiro, a atleta contou que foi incentivada pela mãe, que matriculou os filhos na modalidade como forma de afastá-los da violência.
Tricampeã pan-americana e heptacampeã brasileira, Jéssica afirma que o reconhecimento do público é uma das maiores recompensas da carreira.
Avanço do judô feminino
O judô é atualmente o esporte que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil, com 28 pódios conquistados. Das cinco medalhas de ouro da modalidade, três foram obtidas por mulheres: Sarah Menezes nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Rafaela Silva nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e Beatriz Souza nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
A conversa foi mediada pela gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Camila Dantas.
Rafaela relembrou que, no início de sua carreira na seleção brasileira, em 2008, os treinos no Japão — país de origem do judô — eram reservados apenas aos atletas homens. Segundo ela, a situação mudou com o crescimento e os resultados do judô feminino.
Preconceito e reconhecimento
A judoca também destacou que enfrentou preconceitos dentro e fora do esporte. Segundo ela, familiares e pessoas próximas inicialmente viam o judô como uma modalidade exclusivamente masculina.
Apesar disso, as conquistas das atletas brasileiras ajudaram a mudar essa percepção ao longo dos anos.
Entre os destaques da modalidade está a ex-judoca Mayra Aguiar, maior medalhista olímpica brasileira no judô feminino, com três bronzes conquistados nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
Mayra também foi a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em esportes individuais, marca que atualmente divide com a ginasta Rebeca Andrade.
Mudanças no cenário internacional
A Federação Internacional de Judô também tem adotado medidas para ampliar a participação feminina. Em 2017, a entidade criou a competição por equipes mistas no campeonato mundial da modalidade.
A disputa reúne atletas homens das categorias 73 kg, 90 kg e +90 kg e mulheres das categorias 57 kg, 70 kg e +70 kg. A mudança incentivou países tradicionais no judô, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a investir mais na formação de atletas mulheres.
Olhar para o futuro
De olho nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, Rafaela Silva afirma que tem observado um aumento no número de mulheres competindo na modalidade.
Aos 33 anos, a campeã olímpica garante que ainda não pensa em encerrar a carreira e pretende continuar lutando e inspirando novas gerações no judô brasileiro.
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