A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (19), uma operação para investigar um perito criminal da própria instituição suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes financeiras e possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
Além das buscas, o agente investigado foi afastado das funções e submetido a medidas cautelares alternativas à prisão. Entre elas estão a proibição de manter contato com outros investigados e a restrição para deixar a comarca onde reside.
Segundo informações divulgadas pelo STF, o perito, na condição de servidor da Polícia Federal, teria compartilhado com integrantes da imprensa informações sigilosas relacionadas às fases iniciais da investigação.
O material vazado teria sido obtido a partir da análise de apreensões realizadas durante uma das primeiras etapas da Operação Compliance Zero. O servidor poderá responder pelo crime de violação de sigilo funcional, previsto no Código Penal, cuja pena varia de seis meses a seis anos de prisão.
De acordo com o Supremo, a operação realizada nesta terça teve como principal objetivo interromper novos vazamentos de informações e reunir provas sobre a possível participação do perito nas divulgações ilegais.
A Corte ressaltou ainda que a investigação não tem como alvo jornalistas ou veículos de comunicação. Em nota oficial, o STF afirmou que as medidas adotadas não representam qualquer direcionamento investigativo contra profissionais da imprensa.
O tribunal também destacou a garantia constitucional da liberdade de atuação jornalística e do sigilo da fonte, previstos no artigo 5º da Constituição Federal.
A Operação Compliance Zero completou seis meses na última segunda-feira (18). Até o momento, segundo as autoridades, foram realizadas 21 prisões e cumpridos 116 mandados de busca e apreensão.
As investigações também resultaram no bloqueio e sequestro judicial de mais de R$ 27 bilhões em bens e valores.
Além de apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, a operação investiga relações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro com políticos, servidores públicos e integrantes de órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro, incluindo membros do Banco Central do Brasil e da própria Polícia Federal.
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