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Operação Carbono Oculto expõe uma teia de fraudes e sonegação no setor de combustíveis

Refinaria Refit estaria importando combustível pronto como insumo, ligando o empresário Ricardo Magro a graves irregularidades e até mesmo ao PCC; as  movimentações nos Porto de Santos e Rio de Janeiro.

redação Por redação
29/09/2025 - 14:27
em Brasil
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Refit; Operação Carbono Oculto Revela Esquema de Bilhões na Importação de Combustíveis

A Polícia Federal também atua na Operação Carbono Oculto | Foto: Reprodução.

A “Operação Carbono Oculto” tem sacudido o mercado de combustíveis no eixo Rio-São Paulo, desvendando uma complexa rede de fraudes, sonegação de impostos e, o mais alarmante, a suposta conexão de empresários do setor com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). 

As recentes investigações, que contam com a participação da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Receita Federal e Polícia Federal, apontam agora para os subterrâneos da refinaria Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos, e seu controverso controlador, o empresário Ricardo Magro.

Documentos e levantamentos das autoridades vêm confirmando o que já era um “segredo” conhecido no mercado: a Refit não estaria, de fato, refinando combustível. A tese da investigação é que a empresa importa óleo diesel e gasolina já refinados, que chegam ao Brasil pagando impostos como se fossem insumos para refino – um custo significativamente menor.

Essa mercadoria, após desembarcar no país, é direcionada para distribuidoras que pertencem ao mesmo grupo econômico da Refit, alcançando o mercado varejista sem passar por qualquer processo de refino em território nacional. Fontes ligadas ao setor aduaneiro indicam que as importações são realizadas principalmente pelos Portos de Santos (SP) e do Rio de Janeiro (RJ).

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Rotas da fraude: De Santos a Manguinhos

No Porto de Santos, a movimentação é despachada pela empresa Ageo Norte Terminais e Armazéns, de onde seguiria para bases do grupo em Guarulhos, Paulínia, Jandira, Bauru e São Bernardo do Campo, em São Paulo. Isso reforça a suspeita de que transportadoras retiram o combustível importado para levá-lo diretamente ao consumidor final, sem qualquer processamento pela Refit.

Já as cargas que chegam ao Rio de Janeiro são encaminhadas diretamente para a sede da Refit, em Manguinhos. Contudo, a constatação é a mesma: não se trata de insumos para refino, mas sim de combustível já pronto para o consumo.

Refit; Operação Carbono Oculto Revela Esquema de Bilhões na Importação de Combustíveis
Refit: Operação Carbono Oculto revela esquema de bilhões na importação de combustíveis | Foto: Refit/Reprodução.

Além da estratégia de importação fraudulenta, a Refit acumula outras irregularidades. As fiscalizações identificaram sistemas de gestão de segurança operacional incompletos e com falhas significativas. 

Um ponto crucial é a cessão de espaço dentro da refinaria exclusivamente para distribuidoras do mesmo grupo econômico, prática proibida pela legislação, que visa garantir a livre concorrência no mercado. 

A falta de controle de carga dos produtos importados também chama a atenção das autoridades.

Ricardo Magro: Um histórico de controvérsias

O empresário Ricardo Magro, figura central desta investigação, é conhecido no mercado por seu histórico controverso. Em 2016, Magro foi preso no Brasil por fraude em Fundo de Pensão. Após obter alvará de soltura, ele se mudou para os Estados Unidos, onde obteve cidadania norte-americana e montou uma refinaria no Texas. 

No entanto, sua trajetória no exterior também não é livre de problemas, enfrentando questões com as autoridades locais, conforme reportagens da mídia estrangeira.

No Brasil, Ricardo Magro é apontado como um dos maiores sonegadores de impostos nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Em São Paulo, ele está sob o cerco da Secretaria de Estado de Fazenda e do Ministério Público Estadual.

Paradoxalmente, no Rio de Janeiro, Magro parece ter um “trânsito livre” junto ao governo estadual e uma aparente tolerância da fiscalização do Instituto Nacional do Ambiente (Inea), órgão ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Relações perigosas no horizonte

A expectativa é que as próximas etapas da Operação Carbono Oculto aprofundem as investigações sobre as “relações perigosas” entre Ricardo Magro e possíveis autoridades que deveriam fiscalizar seus negócios no Estado do Rio de Janeiro. 

A complexidade do esquema e o alto valor envolvido sugerem que novos desdobramentos podem surgir, expondo uma teia ainda maior de corrupção e desvio. A sociedade aguarda ansiosamente por respostas e pela responsabilização dos envolvidos.

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Tags: #Combustíveis fósseis#FraudeCombustivel#GiroCapixaba#Manguinhos#OperaçãoCarbonoOculto#PCC#Petróleo&Gás#PolíciaFederal#ReceitaFederal#Refit#RicardoMagro#SonegacaoFiscalANP
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