A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, publicou um artigo em homenagem ao Dia das Mães defendendo políticas públicas voltadas à valorização da maternidade, especialmente das mulheres negras e trabalhadoras brasileiras.
No texto, a ministra afirma que a maternidade ainda é marcada por sobrecarga, desigualdade e jornadas exaustivas, realidade enfrentada principalmente por mulheres negras em situação de vulnerabilidade social.
Ao citar a escritora Carolina Maria de Jesus, Rachel Barros relembra a trajetória da autora, que criou os três filhos sozinha enquanto trabalhava recolhendo papel na década de 1960.
Segundo a ministra, a experiência narrada por Carolina continua refletindo a realidade de milhões de mulheres brasileiras, especialmente trabalhadoras domésticas. Dados do IBGE mencionados no artigo apontam que o Brasil possui cerca de 5,1 milhões de trabalhadoras domésticas, sendo 62% negras.
Rachel Barros defende que o cuidado com os filhos deixe de ser visto como responsabilidade exclusiva das mulheres e passe a ser compartilhado pela sociedade e pelo Estado. Para ela, políticas públicas estruturantes são fundamentais para reduzir a desigualdade e garantir melhores condições de vida às mães.
Entre as medidas citadas estão a proposta do governo federal pelo fim da escala 6×1 sem redução salarial, a ampliação de salas de amamentação em ambientes de trabalho e a implementação da primeira política nacional de cuidados do país.
A ministra também destacou números do IBGE de 2023 que mostram que 64% dos jovens que não estudam nem trabalham são mulheres dedicadas exclusivamente às tarefas domésticas e aos cuidados familiares. Entre mães de crianças de até três anos, esse índice chega a 80%.
No artigo, Rachel Barros afirma que a maternidade precisa ser compreendida de forma ampla, envolvendo acesso à educação, creches, saúde pública e redução das jornadas de trabalho.
Ela também defende o fortalecimento do conceito de “maternagem”, entendido como o cuidado compartilhado entre familiares, vizinhos, comunidade e serviços públicos.
“Criar crianças não pode ser responsabilidade de uma única pessoa, mas de toda a sociedade”, escreveu.
Ao final da mensagem, a ministra homenageia as mães brasileiras e afirma que a luta por uma maternidade mais justa, democrática e equilibrada deve permanecer no centro do debate público.
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