O número de divórcios no Brasil caiu em 2024 após três anos consecutivos de crescimento, segundo dados das Estatísticas do Registro Civil divulgadas nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, foram registrados 428.301 divórcios em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais, uma redução de 2,8% em relação a 2023.
Essa foi a primeira queda no indicador desde 2020, quando houve retração de 13,6%, influenciada pelos efeitos da pandemia. A redução foi puxada principalmente pelas regiões Sul (-1,4%), Sudeste (-2,5%), Nordeste (-3,1%) e Centro-Oeste (-11,8%). O Norte foi a única grande região a apresentar aumento, de 9,1%.
Pela primeira vez na série histórica, a proporção de divórcios judiciais com guarda compartilhada de filhos menores (44,6%) superou aqueles em que a guarda ficou exclusivamente com a mãe (42,6%). Em 2014, esses percentuais eram de 7,5% e 85,1%, respectivamente. Segundo o IBGE, a mudança reflete os efeitos da Lei nº 13.058/2014, que prioriza a guarda compartilhada sempre que possível.
Os divórcios judiciais concedidos em primeira instância representaram 81,8% do total registrado em 2024. A maior parte das dissoluções ocorreu entre famílias com filhos menores de idade (45,8%), seguida por casais sem filhos (30,4%). Em média, os homens se divorciaram aos 44,5 anos, enquanto as mulheres tinham 41,6 anos. O tempo médio de duração do casamento permaneceu em 13,8 anos.
Casamentos civis voltam a crescer, mas seguem abaixo do patamar pré-pandemia
Em 2024, o número de casamentos civis cresceu 0,9% em relação a 2023, totalizando 948.925 registros. Apesar da alta, o volume ainda não alcança os níveis observados antes da pandemia da Covid-19. O Nordeste foi a única região com queda (-1,4%), enquanto o Centro-Oeste liderou o crescimento (2,6%).
O levantamento também mostrou novo recorde nos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, com 12.187 registros em 2024, alta de 8,8% em relação ao ano anterior. Desse total, 64,6% foram entre mulheres.
Nascimentos caem pelo sexto ano consecutivo
O Brasil registrou 2,38 milhões de nascimentos em 2024, queda de 5,8% em comparação com 2023. Este é o sexto ano consecutivo de redução na natalidade. A proporção de mães com até 24 anos caiu de 51,7% em 2004 para 34,6% em 2024, indicando adiamento da maternidade.
Óbitos aumentam e atingem 1,50 milhão
O número de óbitos no país chegou a 1,50 milhão em 2024, aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. Do total, 6,9% ocorreram por causas não naturais, como homicídios, acidentes e suicídios, com forte predominância entre homens, especialmente jovens de 15 a 29 anos.
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