O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que realizará, entre os dias 3 e 7 de julho de 2028, o primeiro censo nacional voltado à população em situação de rua no país. Os resultados preliminares da pesquisa devem ser divulgados em dezembro do mesmo ano.
A iniciativa inédita foi apresentada em uma série de eventos realizados em diferentes capitais brasileiras, incluindo Belém, Rio de Janeiro e São Paulo.
Durante o lançamento no Rio de Janeiro, o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, destacou que a metodologia adotada poderá servir de referência internacional. Segundo ele, o levantamento permitirá identificar o perfil, a origem e as condições de vida dessas pessoas, contribuindo diretamente para o aprimoramento de políticas públicas.
Pochmann afirmou que o objetivo é oferecer dados capazes de transformar a realidade social e, no futuro, tornar desnecessária a repetição desse tipo de levantamento. Ele também relembrou que a primeira contagem de pessoas em situação de rua ocorreu em São Paulo no início da década de 1990, quando foram registradas pouco mais de 3 mil pessoas. Em 2025, esse número já havia ultrapassado 100 mil apenas na capital paulista.
Necessidade de recursos federais
Para o presidente do IBGE, o crescimento expressivo dessa população exige uma resposta nacional articulada. Ele defendeu que o enfrentamento da questão não deve ficar restrito a estados e municípios, mas contar com apoio federal e previsão orçamentária.
Segundo Pochmann, os recursos necessários para a realização do censo estarão incluídos na proposta orçamentária enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional. Ele também ressaltou que o levantamento representa um passo importante para dar visibilidade a uma parcela da população historicamente negligenciada.
O projeto conta com a colaboração de instituições e movimentos sociais, que participaram da construção da metodologia utilizada pelo IBGE.
Relatos e participação social
Durante o evento, pessoas que vivenciaram a realidade das ruas compartilharam experiências. Igor Santos destacou o preconceito enfrentado diariamente por quem vive nessa condição e reforçou a importância de ações que promovam inclusão e apoio social.
Já Flávio Lino, representante do movimento nacional da população de rua, afirmou que a iniciativa pode provocar mudanças estruturais no país. Ele também informou que pessoas com histórico de vida nas ruas serão envolvidas diretamente na execução do censo, contribuindo para a precisão dos dados.
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