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Garimpo agrava crise entre crianças Yanomami e causa mais de 500 mortes, alerta Unicef

Relatório revela impacto devastador da mineração ilegal sobre a saúde infantil Yanomami, com aumento de casos de desnutrição, malária e contaminação por mercúrio.

redação Por redação
15/10/2025 - 16:16
em Brasil
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Relatório do Unicef mostra que o garimpo ilegal provocou mais de 500 mortes de crianças Yanomami entre 2019 e 2022, devido a doenças evitáveis e contaminação ambiental.

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

A invasão garimpeira na Terra Indígena Yanomami aprofundou os desafios enfrentados por crianças e adolescentes desse povo, revela relatório divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a Hutukara Associação Yanomami (HAY). Entre 2019 e 2022, período de maior atividade do garimpo ilegal, foram registradas pelo menos 570 mortes infantis causadas por doenças evitáveis, como desnutrição, malária, pneumonia e infecções parasitárias.

O avanço do garimpo trouxe graves consequências socioambientais, especialmente a contaminação dos rios por mercúrio e a destruição de áreas tradicionais de caça, coleta e plantio. Além disso, a desestruturação do sistema de saúde local deixou milhares de indígenas sem atendimento.

Com cerca de 31 mil habitantes, distribuídos em 390 comunidades nos estados de Roraima e Amazonas, o povo Yanomami ocupa a maior terra indígena do Brasil, com 9,6 milhões de hectares.

Diante do colapso sanitário, o governo federal declarou, em 2023, Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no território. Desde então, mais de 7,4 mil ações de combate ao garimpo foram realizadas, com reforço triplo no número de profissionais de saúde e reabertura de unidades básicas. Apesar dos avanços, o relatório alerta que “os desafios permanecem”, especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA).

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Segundo o Unicef, o impacto do garimpo vai além da destruição ambiental. “Onde há garimpo, há malária”, destaca a antropóloga Ana Maria Machado, uma das autoras do relatório. A doença debilitou famílias inteiras, dificultando o cultivo das roças e agravando a fome e a desnutrição.

Em 2022, mais da metade das 4.245 crianças Yanomami monitoradas estavam abaixo do peso. Os casos de malária entre menores de cinco anos ultrapassaram 21 mil entre 2019 e 2022 — número semelhante ao total dos dez anos anteriores. No mesmo período, 47 crianças morreram de malária, quase sete vezes mais do que nos quatro anos anteriores.

As doenças respiratórias também estão entre as principais causas de morte, com 187 óbitos infantis registrados entre 2018 e 2022. A queda da cobertura vacinal, de 82% em 2018 para 53% em 2022, agravou o cenário.

A Polícia Federal confirmou, em laudos de 2022, que amostras de água dos rios Uraricoera, Parima, Catrimani e Mucajaí apresentavam níveis de mercúrio 8.600% acima do limite seguro para consumo humano. Mesmo após o recuo do garimpo, o metal tóxico deve permanecer no ambiente por anos, afetando peixes e comunidades ribeirinhas.

Exploração e vulnerabilidade social

O relatório também denuncia casos de exploração sexual e trabalho infantil ligados à presença dos garimpeiros. Jovens Yanomami teriam sido aliciados com dinheiro, armas, bebidas e drogas. “Há relatos de meninas abusadas em troca de comida ou pequenas quantias, em situações de evidente exploração”, aponta o documento.

Infância e cultura Yanomami

Intitulado Infância e Juventude Yanomami: O que significa ser criança e os desafios urgentes na Terra Indígena Yanomami, o estudo revela que 75% da população tem menos de 30 anos — uma das maiores proporções jovens do país. Para os pesquisadores, compreender essa nova geração é essencial para garantir o futuro do povo.

Apesar dos desafios, o relatório ressalta a autonomia, liberdade e forte senso comunitário que marcam a infância Yanomami. “As crianças crescem em meio à floresta, aprendendo com os adultos e convivendo livremente com a comunidade”, descreve a antropóloga Ana Maria Machado.

O também antropólogo Marcelo Moura destaca que essa geração “cresceu após a demarcação da terra indígena”, vivendo o choque entre tradições e as transformações trazidas pelo contato com o mundo não indígena.

Para o chefe de emergências do Unicef no Brasil, Gregory Bulit, o relatório busca “servir de referência para profissionais e gestores compreenderem as particularidades do povo Yanomami e atuarem junto a ele”.Proteção e futuro

O Unicef e a HAY defendem que a proteção territorial é essencial para garantir a sobrevivência física e cultural dos Yanomami. O documento recomenda que políticas públicas sejam desenvolvidas com participação ativa das comunidades, priorizando educação, saúde, água potável e segurança alimentar.

“É preciso garantir às crianças e jovens Yanomami uma vida livre de invasores, com dignidade e oportunidades”, conclui o relatório.

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Tags: #Amazônia#Povos Indígenas#Unicef#YanomamiAmazonasCOP30desnutrição infantilgarimpo ilegalMaláriamercúrioRoraimasaúde indígena
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