Plantas anãs, sem pubescência (sem pelos) e até com folhas onduladas estarão entre as variedades que a Embrapa Soja apresentará na Vitrine de Tecnologias durante o Show Rural Coopavel, marcado para ocorrer de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR).
Os materiais foram selecionados entre cerca de 65 mil acessos preservados no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da instituição — uma das três maiores coleções de soja do mundo. A proposta é revelar ao público características visuais pouco conhecidas da cultura, geralmente restritas ao ambiente científico.
Segundo o pesquisador Marcelo Fernandes de Oliveira, a iniciativa busca tornar visível uma diversidade que normalmente não aparece nas lavouras comerciais. O banco genético costuma ser acessado apenas por instituições de pesquisa, e a exposição permite apresentar essa riqueza pela primeira vez de forma mais ampla.
Soja semi-determinada chama atenção
Um dos destaques será a soja semi-determinada, considerada a primeira com caracterização comprovada desse tipo. O material apresenta um comportamento intermediário entre as cultivares determinadas — que florescem de uma só vez e param de crescer — e as indeterminadas, que continuam se desenvolvendo por até 25 dias e hoje dominam mais de 90% do mercado.
Nesse modelo intermediário, a planta segue florescendo, mas cresce cerca de 30% a 40%, com entrenós mais curtos, maior número de vagens por nó e uma terminação do ponteiro em formato semelhante a um “guarda-chuva”.
Pesquisas iniciais indicam que essa arquitetura pode estar associada a ganhos de produtividade, embora ainda sejam necessários estudos adicionais para confirmar o potencial agronômico em escala comercial.
Características raras e novos nichos
Além da soja semi-determinada, a Embrapa exibirá materiais com formatos distintos de flor, folha e vagem. O objetivo não é apontar quais características são superiores, mas demonstrar as possibilidades existentes dentro da espécie.
Um exemplo é a soja sem pubescência, considerada adequada para consumo humano — como o edamame —, embora possa ser mais vulnerável ao ataque de percevejos. A avaliação científica dessas características pode abrir caminho para novos nichos de mercado e aplicações específicas.
Diversidade genética como estratégia
De acordo com os pesquisadores, a conservação genética é essencial para a segurança da cultura. A maior variabilidade da soja está em seu centro de origem, a China, além de países como Japão e Coreia, onde ainda são preservadas características perdidas ao longo do tempo.
Essa diversidade pode ser decisiva diante de desafios futuros, como eventos climáticos extremos, pragas ou doenças. Plantas com maior tolerância à seca, melhor eficiência fotossintética ou arquitetura diferenciada podem garantir a adaptação da produção agrícola.
Ao apresentar essas variedades “fora do padrão”, a Embrapa reforça a importância do investimento em pesquisa e melhoramento genético para sustentar a competitividade do agronegócio e preparar a cultura da soja para as demandas das próximas décadas.
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