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Brasil amplia acesso à água, mas ainda convive com desigualdade no saneamento

Relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico aponta avanços, porém revela desafios para cumprir metas da Organização das Nações Unidas até 2030.

redação Por redação
23/03/2026 - 08:00
em Brasil
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Brasil avança no acesso à água potável, mas desigualdade no saneamento ainda afeta milhões; dados da ANA mostram impactos sociais, econômicos e de gênero.

Imagem:Ariel Rocha/Acervo ISPN

O Brasil avançou no acesso à água potável nos últimos anos, mas ainda enfrenta grandes desigualdades quando o tema é saneamento básico. É o que indicam os dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico sobre o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), estabelecido pela Organização das Nações Unidas.

A meta internacional prevê que, até 2030, todos tenham acesso seguro à água e ao saneamento, com gestão sustentável dos recursos hídricos.

Em 2023, 98,1% da população brasileira tinha acesso à água potável segura. Apesar do índice elevado, a distribuição desse acesso ainda é desigual.

Nas áreas rurais, a cobertura cai para 88%. Já nas regiões Norte e Nordeste, os índices são de 79,4% e 81,9%, respectivamente. As disparidades também aparecem no recorte racial, com menor acesso entre a população não branca.

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De acordo com a ANA, o desafio não está apenas em ampliar o alcance, mas em garantir que o acesso seja equitativo.

Saneamento básico segue como principal gargalo

Quando se trata de saneamento, os números são mais preocupantes. Apenas 59,9% dos brasileiros tinham acesso ao esgotamento sanitário seguro em 2023. Na Região Norte, esse percentual era de 39,6%.

Além disso, somente 57,6% do esgoto gerado no país é tratado. Na prática, isso significa que quase metade dos resíduos ainda é descartada sem tratamento, o que impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a disponibilidade de água.

Segundo a agência, os maiores déficits estão concentrados em áreas rurais, periferias urbanas e regiões historicamente excluídas.

e na igualdadeA falta de acesso à água e ao saneamento afeta de forma mais intensa mulheres e meninas. Elas são, em grande parte, responsáveis pela coleta de água e pelos cuidados domésticos, o que aumenta a carga de trabalho e expõe a riscos sanitários e de violência.

A ANA destaca que essa realidade compromete a equidade de gênero, ao limitar o acesso à educação, à renda e a melhores condições de vida.

A professora da Universidade de Brasília, Vera Lessa Catalão, ressalta que a preservação dos recursos hídricos passa por mudanças nos hábitos de consumo e pelo reconhecimento do papel das mulheres.

Segundo ela, a relação das mulheres com a água é prática e cotidiana, especialmente em locais com acesso precário, como comunidades ribeirinhas e periferias urbanas, o que contribui para uma gestão mais consciente do recurso.

Economia e educação também são impactadas

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destaca que a desigualdade no saneamento afeta diretamente o desenvolvimento social e econômico.

Dados apresentados indicam que crianças com acesso ao saneamento permanecem, em média, 9,5 anos na escola, enquanto aquelas sem acesso estudam cerca de 7,5 anos. A diferença impacta oportunidades futuras, como renda e acesso ao ensino superior.

Segundo ela, os mais prejudicados são jovens, pessoas de baixa renda e populações pretas, pardas e indígenas.

Desafio para cumprir metas até 2030

Para a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, é fundamental integrar políticas públicas de água, saneamento, clima e justiça social. A avaliação é de que não é mais possível tratar esses temas separadamente.

Sem avanços estruturais e políticas inclusivas, o país terá dificuldades para cumprir as metas da Organização das Nações Unidas e reduzir desigualdades históricas.

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Tags: #ÁguaPotável#ANA#DesigualdadeSocial#MeioAmbiente#ODS6#SaneamentoBásico#SaúdePúblicaBrasilEducaçãoSustentabilidade
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