A arrecadação total das receitas federais atingiu R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, registrando crescimento real de 5,68% em relação ao mesmo mês do ano anterior, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Em termos nominais, a alta foi de 9,71%.
No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o volume arrecadado chegou a R$ 547,9 bilhões, avanço de 4,41% em termos reais e de 8,79% em valores nominais frente ao mesmo período de 2025.
Segundo a Receita Federal, os números representam o melhor desempenho para fevereiro e também para o primeiro bimestre desde o início da série histórica, em 1995.
Durante coletiva realizada no Ministério da Fazenda, em Brasília, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (Cetad), Claudemir Malaquias, destacou o recorde. Os dados também foram detalhados pelo auditor-fiscal Marcelo Gomide.
Principais fontes de arrecadação
A maior contribuição para o resultado de fevereiro veio das receitas previdenciárias, que somaram R$ 60,5 bilhões, com crescimento real de 5,68% em relação ao mesmo mês de 2025.
Na sequência aparecem os tributos sobre consumo e faturamento, como Cofins e PIS/Pasep, que arrecadaram R$ 47,7 bilhões, alta real de 8,45%.
Já o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) totalizaram R$ 34,5 bilhões no mês, registrando queda real de 5,49% na comparação anual.
No acumulado do bimestre, o destaque foi justamente o IRPJ/CSLL, com R$ 136,4 bilhões, seguido pelas contribuições previdenciárias (R$ 124,4 bilhões) e por PIS/Cofins (R$ 104,1 bilhões).
De acordo com Marcelo Gomide, o desempenho do IRPJ e da CSLL está dentro do esperado, já que muitas empresas realizam o ajuste desses tributos apenas até março, conforme prevê a legislação.
Fatores que impulsionaram o crescimento
O avanço da arrecadação foi influenciado pelo desempenho de indicadores econômicos. Entre os destaques estão o crescimento de 1,14% nas vendas de bens, de 3,34% no setor de serviços e de 8,51% na massa salarial.
Por outro lado, a produção industrial apresentou queda de 1,95%, enquanto o valor das importações recuou 1,24% no período analisado.
Mudanças na legislação também tiveram impacto relevante. A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aumentou após alterações promovidas pelo Decreto nº 12.499/2025.
Outro destaque foi o crescimento expressivo do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre capital, que avançou 19,44%, impulsionado principalmente pelos rendimentos de renda fixa.
Além disso, houve aumento na arrecadação de PIS e Cofins, refletindo o bom desempenho do setor de serviços e das atividades ligadas à extração de petróleo.
Setores que mais arrecadaram
Entre os setores econômicos, as entidades financeiras lideraram a arrecadação em fevereiro, com R$ 26,6 bilhões e crescimento real de 13,75%.
O comércio atacadista apareceu na segunda posição, com R$ 13,4 bilhões arrecadados.
Outro destaque foi o segmento de apostas e jogos de azar, que registrou aumento expressivo de 47,08%, alcançando R$ 1,031 bilhão, impulsionado pela regulamentação do setor.
Já a arrecadação relacionada à extração de petróleo e gás natural apresentou forte variação devido à reclassificação da atividade principal de uma grande empresa do setor, o que alterou a forma de registro dos valores, sem impacto na carga tributária final.
Receitas administradas
As receitas administradas diretamente pela Receita Federal somaram R$ 215,2 bilhões em fevereiro, com crescimento real de 6,17% e nominal de 10,22%.
Por outro lado, as receitas administradas por outros órgãos totalizaram R$ 6,9 bilhões, apresentando queda em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do bimestre, as receitas administradas pela Receita chegaram a R$ 528,4 bilhões, enquanto aquelas geridas por outros órgãos somaram R$ 19,5 bilhões.
O resultado reforça a resiliência da economia brasileira, especialmente do setor de serviços e do mercado de trabalho, além de evidenciar o impacto de ajustes na política tributária.
A expectativa da equipe econômica é de manutenção de um nível elevado de arrecadação ao longo do ano, ainda que sujeito às oscilações do cenário econômico interno e internacional.
Compartilhe esta reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram





