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Pazolini abre vantagem sobre Ricardo Ferraço, recebe Flávio Bolsonaro e amplia pressão política ES

Pesquisa Quaest aponta nove pontos de vantagem para o candidato do Republicanos; encontro de aliados do governador com o adversário expõe desgaste na coligação e aumenta a tensão na reta final do segundo turno

Roberto Barbosa Por Roberto Barbosa
17/10/2026 - 13:01
em Política
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Pazolini abre vantagem sobre Ricardo Ferraço, recebe Flávio Bolsonaro e amplia pressão política no Espírito Santo

Pazolini, Marcelo Santos e Da Vitória | Foto: Redes Sociais/Reprodução.

A disputa pelo governo do Espírito Santo chega à reta final do segundo turno com Lorenzo Pazolini (Republicanos) em posição favorável e o governador Ricardo Ferraço (MDB) diante de um cenário político cada vez mais complicado. Além da desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, o emedebista enfrenta sinais de desgaste entre aliados que participaram da construção de sua candidatura e agora se aproximam do adversário.

Neste sábado (17), Pazolini ganha um reforço de peso na campanha com a presença do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que participa de um ato político na Praia de Camburi, em Vitória. A mobilização reúne também o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Flávio chegou ao Espírito Santo por volta das 9h30 e seguiu para a concentração no Píer de Iemanjá, onde subiu em um trio elétrico. O evento, denominado Bloquinho do 22, provocou alterações no trânsito da Avenida Dante Michelini, com interdição de parte da via para receber os participantes.

A presença das lideranças nacionais reforça a estratégia de Pazolini de associar sua candidatura ao campo político de Flávio Bolsonaro. O ex-prefeito de Vitória procura ampliar a mobilização de seus apoiadores e consolidar a vantagem conquistada nas urnas no primeiro turno.

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A movimentação acontece em um momento especialmente delicado para Ricardo Ferraço, que iniciou a corrida eleitoral em posição competitiva, mas terminou a primeira votação distante do adversário.

No dia 4 de outubro, Pazolini recebeu 49,65% dos votos válidos, ficando a apenas 0,35 ponto percentual de vencer a eleição ainda no primeiro turno. Ferraço obteve 34,06%.

A diferença de 15,59 pontos percentuais entre os dois candidatos mostrou a dimensão do desafio que o governador teria pela frente na etapa decisiva.

Quaest aponta vantagem de nove pontos para Pazolini

A primeira pesquisa Quaest realizada no segundo turno confirmou a vantagem de Pazolini. Divulgado na quarta-feira (14), o levantamento mostra o candidato do Republicanos com 47% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 38% de Ricardo Ferraço.

A diferença é de nove pontos percentuais. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, os intervalos dos dois candidatos não se sobrepõem.

No cenário espontâneo, quando os entrevistadores não apresentam os nomes dos candidatos, Pazolini também aparece à frente, com 35%, enquanto Ferraço registra 27%.

A pesquisa foi contratada pela TV Gazeta e realizada pela Quaest entre os dias 10 e 13 de outubro, com 1.098 entrevistas presenciais no Espírito Santo.

O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número ES-00468/2026.

Os números representam um retrato das preferências dos eleitores no período das entrevistas e não significam que o resultado da eleição esteja definido. Ainda assim, confirmam que Ferraço precisa reverter uma diferença expressiva a poucos dias da votação marcada para 25 de outubro.

Encontro com Pazolini expõe fissuras na base do governador

Se a pesquisa já representa um obstáculo para Ricardo Ferraço, a movimentação de lideranças partidárias acrescentou um novo problema à sua campanha.

Na sexta-feira (9), o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos (União Brasil), e o deputado federal Da Vitória (PP) participaram de um café da manhã com Lorenzo Pazolini e Erick Musso, presidente estadual do Republicanos.

O encontro ganhou repercussão depois que fotografias dos participantes foram divulgadas nas redes sociais.

Marcelo Santos e Da Vitória são presidentes estaduais de seus respectivos partidos, que integram a federação União Progressista. As duas legendas participaram da aliança formada em torno da candidatura de Ferraço.

A aproximação com Pazolini chamou a atenção justamente porque ocorreu depois do primeiro turno, quando o candidato do Republicanos abriu uma vantagem significativa sobre o governador.

Até a divulgação das reportagens sobre o encontro, Marcelo Santos e Da Vitória não haviam anunciado formalmente apoio a Pazolini. Mesmo assim, a reunião foi interpretada nos bastidores como um sinal de possível afastamento político.

Questionado sobre o episódio durante uma sabatina promovida por A Gazeta e CBN Vitória, Ferraço afirmou que tinha conhecimento prévio da reunião e demonstrou confiança na continuidade da aliança.

O governador lembrou que a federação indicou o candidato a vice de sua chapa, Camillo Neves (PP), e sustentou que a coligação permaneceria unida.

O problema é que a manutenção formal de uma aliança não significa, necessariamente, o mesmo nível de empenho político de todas as lideranças que a integram.

Segundo informações publicadas pela jornalista Letícia Gonçalves, de A Gazeta, integrantes da União Progressista acumulavam insatisfações desde o primeiro turno, especialmente em relação à condução das articulações eleitorais e ao tratamento dispensado a candidaturas proporcionais.

Entre os pontos de atrito estaria a percepção de favorecimento a candidatos do PSB, partido do ex-governador Renato Casagrande, em detrimento de nomes ligados a outras legendas da coligação.

O deputado federal Gilson Daniel (Podemos) também foi citado entre os aliados insatisfeitos.

As divergências ajudam a explicar por que uma reunião aparentemente informal ganhou tamanho significado político. Em uma disputa apertada no calendário, a disposição de prefeitos, deputados e dirigentes partidários para pedir votos pode fazer diferença na capacidade de mobilização de cada campanha.

Ferraço enfrenta o peso das próprias articulações

A situação de Ricardo Ferraço chama a atenção porque o governador chegou à disputa com a estrutura administrativa do Estado, uma ampla rede de alianças e o apoio de importantes lideranças políticas.

A expectativa de uma candidatura competitiva, entretanto, não se traduziu na liderança do primeiro turno. Agora, além de buscar os votos necessários para ultrapassar Pazolini, Ferraço precisa administrar divergências dentro do próprio grupo.

O resultado das urnas e os sinais de afastamento de aliados colocam em discussão as escolhas feitas durante a formação da chapa, a distribuição de espaços políticos e a condução das negociações partidárias.

A avaliação de que o governador pode estar pagando o preço de decisões tomadas por seu próprio grupo ganha força diante da sequência de dificuldades. Mas atribuir uma eventual derrota exclusivamente à sua postura pessoal seria simplificar uma eleição que também envolve identificação ideológica, alianças nacionais, desempenho de campanha e preferências do eleitorado.

Há ainda uma contradição política que chama a atenção: enquanto Ferraço procura preservar a unidade da coligação, dirigentes de partidos que integram sua base aparecem publicamente ao lado do candidato que tenta derrotá-lo.

Para Pazolini, o momento oferece a oportunidade de transformar a vantagem eleitoral em demonstração de força política. Para Ferraço, o desafio é evitar que a desvantagem nas pesquisas e o desgaste entre aliados alimentem a percepção de que a disputa já está decidida.

A eleição, porém, continua aberta até a votação.

Com Flávio Bolsonaro em campanha no Espírito Santo neste sábado, Pazolini procura aproveitar o impulso político da visita para ampliar sua presença nas ruas. Ferraço, por sua vez, precisa recuperar terreno entre os eleitores e, ao mesmo tempo, convencer seus aliados de que ainda existe espaço para uma virada.

A resposta definitiva virá das urnas no dia 25 de outubro. Até lá, a corrida pelo Palácio Anchieta será também um teste da capacidade de articulação política dos dois candidatos.

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Roberto Barbosa

Roberto Barbosa

Jornalista, escritor e diretor executivo do Portal e Revista VIU!

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