O público que estiver no Rio de Janeiro terá a oportunidade de conhecer de perto a tradição da arte têxtil de duas cidades do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A exposição “Arte têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG” reúne peças produzidas artesanalmente em algodão, com bordados, crochês e diferentes tipos de acabamento feitos manualmente.
A mostra está aberta à visitação gratuita até 29 de novembro, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, instalado no Museu de Folclore Edison Carneiro, no bairro do Catete. Além de conhecer o trabalho das artesãs, os visitantes também poderão adquirir algumas das peças expostas.
A produção têxtil faz parte da história e da identidade cultural do território do Jequitinhonha. Entre os trabalhos apresentados estão artigos para cama, mesa e vestuário, que chamam atenção pela variedade de cores, pelos bordados e pelos detalhes feitos ponto a ponto.
A exposição também destaca outros conhecimentos tradicionais presentes na região, como a tecelagem, a cerâmica e os trabalhos artesanais em couro e madeira. Esses saberes são transmitidos entre gerações e fazem parte da memória cultural das comunidades.
A historiadora Ana Lima Kallás, responsável pela pesquisa de campo e pelo texto do catálogo da exposição, entrevistou 40 mulheres para reunir informações sobre a produção artesanal de Turmalina e Veredinha.
Segundo a pesquisadora, embora seja uma tradição antiga, a produção têxtil do Jequitinhonha ainda recebe menos atenção do que outras manifestações culturais da região. O bordado ganhou espaço significativo entre as atividades desenvolvidas pelas artesãs e passou a ocupar papel importante na produção local.
A mostra também propõe uma reflexão sobre as transformações econômicas e ambientais ocorridas no território. Entre os temas abordados está a expansão do cultivo de eucalipto, que reduziu áreas anteriormente utilizadas pela agricultura familiar para o cultivo do algodão.
Outro aspecto presente na exposição é a relação entre artesanato e gênero. Durante muito tempo, atividades como o bordado foram associadas exclusivamente ao trabalho doméstico feminino. A organização das artesãs em associações, porém, contribuiu para transformar essa percepção.
O artesanato passou a ser encarado também como atividade profissional e fonte de renda para muitas mulheres e suas famílias. A atuação coletiva permite que as artesãs tenham maior participação em eventos, cursos, vendas e desenvolvimento de novos produtos.
A presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur), Maria Aparecida das Graças Oliveira, cresceu cercada pelos tecidos e bordados produzidos por familiares. Segundo ela, o contato com o ofício começou ainda na infância, acompanhando o trabalho da mãe, das avós e das tias.
A produção artesanal envolve diferentes etapas, desde o preparo do algodão e a fabricação do fio até a tecelagem e o bordado. Entre as lembranças compartilhadas por Maria Aparecida está o costume de personalizar tecidos com iniciais feitas em ponto cruz, uma forma de identificar os pertences de cada integrante da família.
A participação na exposição representa uma oportunidade especial para as artesãs de Turmalina ampliarem o alcance de seu trabalho. Pela primeira vez no Rio de Janeiro, Maria Aparecida destaca a importância de apresentar ao público de outras regiões a tradição mantida pelas mulheres do Jequitinhonha.
A presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte), Ilma Gonçalves de Oliveira, ressalta que a atividade artesanal possui importância econômica para diversas famílias da região.
A organização coletiva das artesãs permite a compra conjunta de materiais, a participação em feiras e eventos, a comercialização das peças e a criação de novas coleções. As associações também facilitam o acesso a cursos de capacitação e a busca de soluções para dificuldades enfrentadas pelas produtoras.
Com a exposição, os trabalhos de Turmalina e Veredinha ganham espaço em um dos principais centros culturais dedicados à preservação e divulgação da cultura popular brasileira.
Serviço:
- Exposição “Arte têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG”
- Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular | Museu de Folclore Edison Carneiro
- Endereço: Rua do Catete, 179, Catete, Rio de Janeiro
- Período: até 29 de novembro
- Horários: de terça a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
- Entrada: gratuita
- Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan) e Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec).
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram





