As fortes chuvas que atingiram São Paulo entre quinta-feira (10) e último sábado (12) deixaram pelo menos oito pessoas mortas e uma desaparecida. O temporal provocou uma série de ocorrências em diferentes regiões do estado, incluindo alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de árvores e desabamentos.
Na capital paulista, um prédio residencial em construção desabou durante a madrugada de sábado, na Rua Tequeci, na Penha, atingindo casas vizinhas. Os bombeiros localizaram todas as vítimas. Uma criança e um homem sobreviveram, enquanto três mulheres, entre elas uma gestante, dois homens e uma criança morreram. Segundo o governo estadual, a família que vivia no imóvel era de origem boliviana. Cinco das vítimas eram bolivianas e uma era paraguaia.
A construção que desabou tinha 12 andares e estava embargada desde 2021. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o município havia entrado na Justiça naquele ano para pedir a demolição da estrutura irregular, após fiscalizações, interdição e aplicação de multas, uma delas de R$ 119 mil. Em 2022, um novo projeto foi autorizado para a demolição da estrutura antiga e construção de um novo empreendimento.
A situação passou a ser investigada pela Controladoria-Geral do Município depois que uma fiscalização realizada em fevereiro de 2024 apontou que a demolição exigida teria sido concluída. As apurações preliminares, porém, indicam que o serviço não foi realizado como informado. A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias. A Polícia Civil também investiga o caso, e um dos sócios da construtora New Home foi preso neste domingo (13). Outros dois representantes da empresa são procurados.
Em Jandira, na Grande São Paulo, três pessoas foram arrastadas por uma enxurrada na noite de sexta-feira. Uma mulher foi encontrada morta, enquanto um homem foi localizado neste domingo e outro continua desaparecido. As buscas estão concentradas em um piscinão na cidade de Carapicuíba. Em Vargem Grande Paulista, também foram registrados deslizamentos, queda de barreira, pedras deslocadas e queda de muro. Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra também tiveram ocorrências provocadas pela chuva.
No interior do estado, a situação também exige atenção. Em Eldorado, no Vale do Ribeira, o nível do Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros e provocou inundações na área urbana. Cinquenta e quatro famílias, totalizando 173 pessoas, precisaram deixar suas casas. Em Sete Barras, o transbordamento do mesmo rio atingiu ruas e propriedades rurais, afetando cerca de 50 moradias. Em Itu, houve deslizamentos de terra e rochas, queda de muros e árvores.
A Defesa Civil estadual emitiu 21 alertas por SMS e quatro por Cell Broadcast entre a madrugada de sábado e a manhã deste domingo. A situação dos rios continua sendo monitorada, principalmente nas regiões do Ribeira de Iguape e de Piracicaba. Também foram registrados pontos de extravasamento nos rios Tietê e Pinheiros. A orientação é que moradores acompanhem os alertas oficiais, evitem áreas alagadas e mantenham distância das margens dos rios.
A previsão indica que a chuva forte ainda pode atingir o litoral paulista neste domingo e na segunda-feira (14), com acumulados que podem chegar a 150 milímetros nos dois dias. A Defesa Civil recomenda atenção redobrada e orienta quem precisar viajar pelo interior a verificar as condições das rodovias, já que várias estradas foram afetadas pelo temporal e algumas ainda apresentam restrições de circulação.
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