O aumento dos casos de sarampo nas Américas colocou as autoridades de saúde em alerta e reforçou a necessidade de manter a vacinação atualizada. Em alerta epidemiológico divulgado em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que a região apresenta, em 2026, o maior número de casos confirmados da doença em mais de duas décadas.
Diante do cenário, a organização recomenda o fortalecimento das campanhas de vacinação, da vigilância epidemiológica e da capacidade de identificar e responder rapidamente a novos casos.
No Brasil, a orientação ganha importância durante a Campanha de Multivacinação, realizada em todo o país até 1º de setembro. A estratégia contempla crianças e adolescentes menores de 15 anos e permite verificar a caderneta de vacinação e atualizar eventuais doses em atraso.
Em 2025, os países das Américas registraram 14.891 casos confirmados de sarampo e 29 mortes. O número foi 32 vezes superior ao registrado no ano anterior e representou o maior total regional desde 2019.
Em 2026, a situação se agravou. Até 13 de junho, foram contabilizados 22.324 casos confirmados em 17 países e territórios, além de 38 mortes. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentram 97% dos casos registrados na região.
O sarampo é uma doença altamente contagiosa. A circulação do vírus em outros países aumenta a possibilidade de pessoas infectadas introduzirem a doença em locais onde a transmissão havia sido interrompida. O Brasil registra, em 2026, 24 casos de sarampo relacionados à importação do vírus.
Desse total, três casos foram encerrados sem risco de disseminação. Outros 21 permanecem em acompanhamento no estado de São Paulo: um em Guarulhos, dois em São Bernardo do Campo e 18 na capital paulista.
O país mantém o status de eliminação da circulação endêmica do sarampo. A recertificação foi concedida pela OPAS em novembro de 2024.
Mesmo com a manutenção desse reconhecimento, a entrada de casos importados exige acompanhamento permanente para evitar que o vírus volte a circular de maneira sustentada no território nacional.
Com a identificação de casos no país, o Ministério da Saúde ampliou a estratégia de vacinação contra o sarampo em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Nessas cidades, a orientação prevê vacinação de forma indiscriminada para pessoas de 6 meses a 59 anos durante a campanha, seguindo as recomendações específicas para cada faixa etária.
Para reforçar o abastecimento em São Paulo, foram destinadas 3,2 milhões de doses da vacina tríplice viral, utilizada nas ações de bloqueio e prevenção.
Bebês de 6 a 11 meses podem receber uma dose adicional, conhecida como dose zero. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário de rotina aos 12 e 15 meses.
Para as demais faixas etárias, os profissionais de saúde verificam a necessidade de vacinação de acordo com a idade e o histórico registrado na caderneta.
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Campanha de Multivacinação não se limita à prevenção do sarampo. A mobilização inclui vacinas contra diversas doenças, entre elas poliomielite, meningites, pneumonias, coqueluche, febre amarela, influenza, covid-19, HPV e dengue.
A campanha deste ano também marca a primeira edição da estratégia com a vacina pneumocócica 20-valente, conhecida como Pneumo 20, incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação.
O Dia D de Mobilização Nacional está marcado para 22 de agosto, quando serão realizadas ações de vacinação em diferentes regiões do país.
O Ministério da Saúde recomenda que pais e responsáveis aproveitem a campanha para conferir a situação vacinal de crianças e adolescentes e procurar uma unidade de saúde quando houver doses pendentes.
A manutenção de altas coberturas vacinais é considerada uma das principais estratégias para reduzir a circulação do sarampo e proteger a população.
Além de evitar casos e surtos, a vacinação contribui para proteger pessoas que, por determinadas condições de saúde, não podem receber algumas vacinas.
Diante do aumento da circulação do vírus nas Américas, a atualização da caderneta de vacinação ajuda a reduzir o risco de reintrodução e transmissão do sarampo no Brasil.
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