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Prisão de Waguinho expõe antigas relações políticas em Presidente Kennedy

Gilbert Wagner Antunes Lopes, apontado pela Polícia Civil como mandante da morte de um vereador, aparece em registros públicos ao lado de autoridades; situação eleitoral de Dorlei Fontão também permanece no centro da disputa municipal.

redação Por redação
18/07/2026 - 15:46
em D+NEWS
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A prisão de Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como “Waguinho”, reabriu questionamentos sobre a trajetória política e empresarial do investigado no Sul do Espírito Santo. Antes de ser apontado pelas autoridades como integrante de uma milícia e suspeito de ordenar a morte de um vereador, ele circulou em ambientes institucionais e apareceu em registros ao lado de lideranças políticas capixabas.

Waguinho foi capturado no dia 14 de julho, no bairro Engenho, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A prisão resultou de uma ação integrada entre as polícias civis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Ele era considerado foragido e estava entre os criminosos mais procurados pelas autoridades capixabas.

Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil, Gilbert é suspeito de ter ordenado o assassinato do então vereador de Presidente Kennedy Marcos Augusto Costalonga, conhecido como Marquinhos da Cooperativa. O parlamentar foi morto a tiros dentro de um automóvel, em maio de 2021.

A linha investigativa sustenta que o crime teria sido motivado pela cobrança de uma dívida. De acordo com o delegado responsável pelo caso, a apuração indicou que Waguinho teria determinado a execução depois de ser cobrado pelo vereador. A acusação ainda deverá ser examinada definitivamente pelo Poder Judiciário, com garantia de defesa e contraditório.

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Fotografias levantam questionamentos políticos

A repercussão do caso ganhou uma dimensão política depois da divulgação de fotografias antigas nas quais Gilbert aparece em eventos e encontros com autoridades do Espírito Santo.

O material apresentado durante o programa Direto da Redação mostra Waguinho ao lado de figuras como o governador Renato Casagrande, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, e o prefeito de Presidente Kennedy, Dorlei Fontão. O conteúdo também sustenta que ele teria exercido influência na administração municipal e mantido proximidade com integrantes do governo local.

A existência de fotografias ao lado de agentes públicos, isoladamente, não comprova participação das autoridades nos crimes atribuídos ao investigado. Os registros, no entanto, levantam dúvidas legítimas sobre a natureza da relação institucional mantida com Waguinho antes de ele passar a ser procurado pela polícia.

Entre os principais questionamentos estão o período em que o investigado passou a ser identificado pelas autoridades como suposto integrante de milícia, quais atividades ele exercia anteriormente no município e se os agentes públicos conheciam as acusações que posteriormente surgiram contra ele.

O material-base do programa também relata que Waguinho teria frequentado a Secretaria de Obras e sido tratado como pessoa de confiança dentro do grupo político que administrava Presidente Kennedy. Essas afirmações precisam ser confrontadas com documentos funcionais, contratos, nomeações e manifestações oficiais dos citados.

Atuação empresarial também entra no debate

Além da passagem por ambientes políticos, Gilbert teria constituído uma empresa que executou serviços no município. O programa cita a Lopes do Brasil e afirma que a empresa teria participado de obras em Presidente Kennedy.

Até o momento, não foi apresentado publicamente documento que demonstre ligação direta entre a prisão por suspeita de participação no homicídio e os contratos investigados pela Polícia Federal em outras apurações no Espírito Santo.

Por isso, qualquer tentativa de relacionar automaticamente Waguinho à Operação Colosso de Areia deve ser tratada com cautela. A presença dele em fotografias, empresas ou eventos públicos não significa que seja investigado nessa operação, salvo confirmação expressa das autoridades.

A Operação Colosso de Areia foi deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em 8 de julho. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes em contratos públicos municipais, incluindo recursos federais destinados às áreas de saúde e educação.

Segundo a PF, os grupos investigados mantiveram contratos que somaram aproximadamente R$ 908,8 milhões entre 2017 e 2025. A corporação não apresentou, no comunicado oficial, uma relação pública completa de todas as pessoas e empresas investigadas.

Possível dossiê não foi confirmado oficialmente

Durante o programa, também foi mencionada a suposta existência de um dossiê volumoso sobre Waguinho, com fotografias, vídeos, áudios e outras informações que teriam sido encaminhadas a órgãos federais.

Não há, até agora, confirmação pública da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal sobre a existência, o conteúdo ou o valor probatório desse material. A afirmação deve, portanto, ser apresentada como relato dos comentaristas e não como fato oficialmente comprovado.

Também não é possível afirmar que a forma como Waguinho chegou à delegacia represente rendição negociada, colaboração com as autoridades ou intenção de prestar depoimento sobre outros agentes políticos. A informação confirmada é que houve cumprimento de mandado de prisão preventiva depois de uma operação conjunta das polícias dos dois estados.

Futuro de Dorlei Fontão segue judicializado

Paralelamente à repercussão da prisão, Presidente Kennedy continua acompanhando a disputa judicial relacionada ao mandato do prefeito Dorlei Fontão.

A controvérsia teve origem no período em que Dorlei, então vice-prefeito, assumiu a prefeitura após o afastamento judicial da titular do cargo. Ele permaneceu no comando entre maio de 2019 e novembro de 2020, e posteriormente foi eleito prefeito nas eleições de 2020.

Ao tentar concorrer novamente em 2024, sua candidatura foi questionada sob o argumento de que a nova eleição configuraria um terceiro mandato consecutivo, situação vedada pelo artigo 14, parágrafo 5º, da Constituição.

O ponto central do processo é definir se o período em que Dorlei substituiu a prefeita afastada judicialmente deve ser considerado exercício de mandato para efeito da proibição constitucional. A decisão individual que posteriormente permitiu seu retorno considerou o caráter provisório daquela primeira posse.

O processo original mostra que o registro da candidatura chegou a ser indeferido e que a discussão foi levada ao Tribunal Superior Eleitoral. Portanto, não é juridicamente seguro estabelecer prazo de 45 ou 60 dias para eventual afastamento do prefeito ou retorno de um substituto.

A definição depende do andamento processual, da inclusão do caso em pauta e das decisões que ainda poderão ser tomadas pelos órgãos colegiados competentes.

Júnior de Gromogol pode voltar à prefeitura?

Fábio Feliciano de Oliveira, conhecido como Júnior de Gromogol, já exerceu interinamente o cargo de prefeito de Presidente Kennedy no início de 2025. Ele assumiu por ocupar a presidência da Câmara Municipal, diante da indefinição sobre a posse do candidato eleito.

Uma eventual volta de Júnior à chefia do Executivo não ocorre automaticamente pela simples retomada do julgamento. Seria necessária uma decisão com efeito imediato sobre o mandato de Dorlei e, depois, a definição da Justiça Eleitoral a respeito da sucessão municipal.

Dependendo do conteúdo da decisão, o presidente da Câmara poderia assumir provisoriamente, enquanto a Justiça avalia a realização de nova eleição. Contudo, esse cenário ainda é hipotético.

Não há decisão pública confirmando que Júnior assumirá em data determinada. Também não é possível assegurar, neste momento, que haverá eleição suplementar ou que Dorlei será afastado.

Prisão amplia pressão por esclarecimentos

O caso Waguinho reúne duas dimensões distintas. A primeira é criminal e envolve a acusação de que ele teria ordenado a morte de um vereador. A segunda é política e trata das relações mantidas pelo investigado antes de se tornar foragido.

As autoridades que aparecem em fotografias com Gilbert não podem ser responsabilizadas apenas pela existência dos registros. Ao mesmo tempo, o interesse público justifica perguntas sobre os cargos, contratos, relações empresariais e acessos institucionais que ele teria mantido.

A prisão representa uma nova etapa da investigação criminal. Caberá à polícia, ao Ministério Público e à Justiça esclarecer a extensão da atuação atribuída a Waguinho e verificar se existem conexões com outros crimes ou agentes públicos.

O conteúdo original utilizado como base para esta reportagem reuniu questionamentos sobre as relações políticas de Gilbert Wagner e sobre o futuro do governo de Presidente Kennedy.

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Tags: #DorleiFontão#EspíritoSanto#GilbertWagnerAntunes#JúniorGromogol#JustiçaEleitoral#OperacaoColossoDeAreia#PoliciaCivil#PolíticaCapixaba#PresidenteKennedy#WaguinhoBatman
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