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Pesquisa prevê alta do desmatamento sem acordo da soja

Pesquisa publicada na revista Science estima que o fim do acordo pode provocar a perda de 1,4 milhão de hectares de floresta na Amazônia em dez anos e elevar significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

redação Por redação
17/07/2026 - 14:00
em Brasil
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Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo publicado na revista científica Science aponta que o encerramento da Moratória da Soja poderá acelerar o desmatamento na Amazônia e comprometer os avanços obtidos na preservação da floresta nas últimas décadas. Segundo os pesquisadores, a extinção do acordo pode resultar na derrubada de aproximadamente 1,4 milhão de hectares de vegetação nativa ao longo dos próximos dez anos, volume cerca de 14% superior às médias históricas registradas na região.

Além da perda de cobertura florestal, o levantamento estima a emissão de aproximadamente 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), quantidade comparável às emissões anuais do Canadá.

Criada em 2006, a Moratória da Soja é um compromisso firmado entre empresas do agronegócio, organizações da sociedade civil e governo para impedir a comercialização de soja cultivada em áreas da Amazônia desmatadas após 2008. O objetivo é reduzir a expansão agrícola sobre florestas preservadas.

O trabalho reúne especialistas do WWF-Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e pesquisadores das universidades de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos.

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De acordo com o estudo, a interrupção da Moratória também pode aumentar a pressão sobre regiões de floresta pública suscetíveis à especulação fundiária e à expansão da infraestrutura. Os pesquisadores estimam que até 28,7 milhões de hectares possam sofrer influência indireta desse processo.

A análise destaca que, nos primeiros dez anos de vigência do acordo, houve redução de 35% no desmatamento em áreas consideradas prioritárias para a expansão da soja. Nesse período, aproximadamente 1,8 milhão de hectares de floresta deixaram de ser desmatados.

Para o pesquisador Tiago Reis, do WWF-Brasil, a experiência demonstra que é possível conciliar crescimento da produção agrícola com conservação ambiental.

Segundo ele, mecanismos como a Moratória fortalecem estratégias capazes de reduzir o desmatamento e promover um desenvolvimento sustentável para o país.

Os autores também avaliaram críticas relacionadas aos impactos econômicos do acordo sobre os produtores rurais. Os resultados indicam que os efeitos diretos foram limitados.

Após 2008, cerca de 739 mil hectares de áreas legalmente desmatadas aptas ao cultivo de soja foram registrados, sendo que a maior parte dessas áreas não pertence a propriedades produtoras da commodity.

O levantamento identificou ainda aproximadamente 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e adequadas para a produção de soja na Amazônia. Segundo os pesquisadores, esse potencial permitiria ampliar a produção agrícola sem necessidade de novos desmatamentos.

Outra conclusão do estudo contesta a alegação de que a Moratória teria provocado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores.

A comparação entre municípios abrangidos pelo acordo e localidades vizinhas mostrou que os preços pagos aos produtores permaneceram semelhantes, sem prejuízos à remuneração da atividade.

Para Tiago Reis, o compromisso também fortalece a competitividade da cadeia produtiva brasileira diante das crescentes exigências internacionais por rastreabilidade e critérios ambientais.

Na avaliação do pesquisador, ampliar a produção agrícola e preservar a Amazônia são objetivos compatíveis quando a expansão ocorre sobre áreas já abertas e segue mecanismos de controle e transparência.

O futuro da Moratória da Soja também está no centro de uma disputa judicial.

Em janeiro de 2026, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), entidade que representa empresas como Cargill, Bunge e ADM, anunciou sua saída oficial do acordo.

Desde então, quatro ações relacionadas ao tema tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma tentativa de mediação conduzida pela Corte, iniciada em março, terminou sem consenso entre representantes do agronegócio, ambientalistas, Ministério Público e governo.

Com o encerramento das negociações em junho, os processos retornaram aos ministros relatores e devem começar a ser julgados pelo plenário do STF a partir de 12 de agosto.

Entre os casos está a análise da decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu processos judiciais e administrativos que buscavam impedir a aplicação da Moratória. Os ministros também deverão decidir sobre a constitucionalidade de uma lei do Mato Grosso que retira incentivos fiscais e benefícios públicos de empresas signatárias do acordo.

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Tags: #Agronegócio#Amazônia#DesmatamentoZero#FlorestaAmazônica#MeioAmbiente#MoratóriaDaSoja#MudançasClimáticasClimaDesmatamentoSTFSustentabilidade
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