O Brasil se prepara para realizar, em outubro, as eleições gerais com o maior eleitorado de sua história. Quase 159 milhões de brasileiros estão aptos a votar na escolha do presidente da República, governadores, deputados federais, deputados estaduais e dois senadores por unidade da federação.
Embora o crescimento em relação às eleições gerais anteriores tenha sido discreto — eram cerca de 156 milhões de eleitores em 2022 —, o novo total consolida a expansão da participação democrática registrada desde a redemocratização do país. Em comparação, na primeira eleição presidencial da Nova República, em 1989, pouco mais de 80 milhões de brasileiros estavam aptos a votar.
Os dados do cadastro eleitoral mostram que o perfil predominante do eleitor em 2026 é composto por mulheres pardas, com idade entre 35 e 44 anos e ensino médio completo.
As mulheres representam 52% do eleitorado, somando aproximadamente 81,8 milhões de votantes, enquanto os homens correspondem aos 48% restantes.
Na escolaridade, o ensino médio completo concentra o maior grupo, reunindo 42,1 milhões de eleitores, o equivalente a 27,04% do total. Em relação à cor e raça, os pardos representam 53,57% do eleitorado, seguidos por brancos (33,34%) e pretos (11,39%).
A Justiça Eleitoral também registra avanços nas políticas de inclusão. Desde 2023, o cadastro eleitoral passou a reunir informações opcionais sobre identidade de gênero, além de ampliar mecanismos voltados ao reconhecimento da diversidade dos eleitores.
Em pouco mais de três anos, o número de pessoas que informaram sua identidade de gênero cresceu significativamente. Atualmente, mais de 20% do eleitorado, cerca de 33 milhões de brasileiros, já optaram por fornecer essa informação, enquanto no início da divulgação esse índice era inferior a 2%.
Outro avanço ocorreu no uso do nome social. Nas eleições municipais de 2024, 41.537 eleitores utilizaram essa identificação no título eleitoral, número superior aos 37.646 registrados nas eleições gerais de 2022.
O cadastro também aponta crescimento entre os eleitores que declararam possuir algum tipo de deficiência. O contingente chegou ao recorde de 1,45 milhão de pessoas, praticamente o dobro do registrado oito anos atrás.
A Justiça Eleitoral também ampliou ações voltadas aos povos indígenas. No último pleito foram distribuídos mais de 21 mil materiais informativos em idiomas indígenas, como Nheengatu e Guarani, e novas medidas estão sendo planejadas para fortalecer a acessibilidade nas eleições deste ano.
Levantamento do Instituto DataSenado indica que cerca de 40% dos brasileiros não se identificam com os tradicionais campos ideológicos de esquerda, direita ou centro. Quando somados aos 11% que se definem como centristas, mais da metade do eleitorado permanece fora das classificações políticas tradicionais.
O estudo também aponta que mulheres demonstram maior distanciamento dessas classificações ideológicas e que os jovens apresentam posicionamentos definidos em temas ligados aos direitos civis, justiça social e democracia, ainda que acompanhem menos o cotidiano do Poder Legislativo.
Segundo especialistas, o cenário revela um eleitorado cada vez mais orientado por causas específicas do que por vínculos partidários tradicionais, além de diferenças regionais marcantes nas prioridades políticas, como segurança pública, economia e confiança nas instituições.
Enquanto o perfil do eleitorado evolui, o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/2021, que propõe a criação de um novo Código Eleitoral para unificar a legislação brasileira sobre o tema.
Entre os principais pontos da proposta está a reserva de 20% das cadeiras dos Legislativos para mulheres durante um período de 20 anos. Atualmente, a legislação estabelece apenas cotas para candidaturas femininas, sem garantia de ocupação de vagas.
O projeto também prevê regras específicas para o uso da inteligência artificial nas campanhas eleitorais, buscando combater conteúdos manipulados e desinformação sem restringir a liberdade de expressão.
Outras mudanças previstas incluem maior transparência na prestação de contas dos partidos políticos, criação do voto impresso e estabelecimento de quarentena para determinados agentes públicos que desejem disputar eleições.
O texto já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda votação em Plenário. Caso seja aprovado, ainda precisará retornar à Câmara dos Deputados devido às alterações feitas pelos senadores.
Mesmo que seja sancionado ainda em 2026, o novo Código Eleitoral não valerá para as eleições deste ano, em razão do princípio constitucional da anualidade eleitoral, que impede a aplicação de novas regras eleitorais em pleitos realizados dentro do primeiro ano de vigência da legislação.
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