A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Galho Fraco, investigação que apura suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar por meio de contratos de locação de veículos. A ação é um desdobramento da Operação Rent a Car e busca aprofundar a apuração sobre o destino de verbas públicas destinadas ao custeio da atividade parlamentar.
A cota parlamentar é um recurso mensal disponível para deputados e senadores pagarem despesas relacionadas ao exercício do mandato, como transporte, combustível, passagens, aluguel de veículos, divulgação da atividade parlamentar e manutenção de escritórios.
Segundo a investigação, parte desses recursos teria sido usada de forma irregular em contratos de aluguel de carros. A suspeita é de que empresas e pessoas ligadas aos investigados tenham sido utilizadas para ocultar ou disfarçar a real destinação do dinheiro público.
Nesta fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais. O objetivo da Polícia Federal é coletar e preservar provas que ajudem a identificar o caminho dos recursos e a eventual participação de agentes públicos, particulares e empresas no suposto esquema.
Ninguém foi preso durante a operação. No entanto, os investigadores apuram indícios de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude processual. Também há suspeita de ocultação e alteração de provas.
Durante as buscas, os agentes apreenderam valores em espécie e um relógio de luxo. O material recolhido será analisado pela Polícia Federal e poderá ajudar a esclarecer se houve desvio de verba pública e quem teria se beneficiado dos recursos.
A Operação Galho Fraco já havia tido uma primeira fase em dezembro do ano passado, quando foram cumpridos mandados contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. Na ocasião, a investigação apontou movimentações suspeitas de cerca de R$ 8 milhões envolvendo pessoas ligadas aos parlamentares.
Na nova etapa da investigação, os dois deputados não foram alvo direto dos mandados. A ação desta vez concentrou-se em pessoas e empresas que, segundo a Polícia Federal, podem ter ligação com o suposto esquema investigado.
Os parlamentares citados em fases anteriores negam irregularidades e afirmam ser vítimas de perseguição política.
A Polícia Federal segue analisando os documentos, valores e demais materiais apreendidos para tentar esclarecer a destinação dos recursos públicos e verificar se contratos de locação de veículos foram utilizados para desviar dinheiro da cota parlamentar.
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