Os efeitos da crise climática vão além dos danos à infraestrutura e às perdas econômicas. Cada vez mais especialistas alertam para as consequências emocionais provocadas por enchentes, secas, deslizamentos e outros fenômenos extremos. Com esse foco, a organização Time To Act lançou a campanha Saúde Mental Climática, defendendo a criação de uma política pública nacional voltada ao acolhimento psicológico das populações atingidas.
A mobilização apoia o Projeto de Lei 6151/25, que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta busca estruturar uma rede permanente de atendimento para pessoas impactadas por desastres ambientais, contemplando desde crianças até idosos, além dos profissionais envolvidos nas operações de resposta e reconstrução.
O texto prevê a criação do Sistema Nacional de Saúde Mental Climática, responsável por coordenar ações de prevenção, atendimento e recuperação emocional. Também está prevista a instalação de Centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades, destinados ao fortalecimento dos vínculos sociais após eventos extremos.
Segundo a fundadora da Time To Act, Luciana Brafman, experiências observadas em diferentes países e, mais recentemente, durante as enchentes que devastaram cidades gaúchas, evidenciaram a necessidade de incluir a saúde mental como prioridade nas estratégias de adaptação climática.
A proposta considera que a recuperação das comunidades não deve se limitar à reconstrução de casas, escolas e estradas. O objetivo é garantir condições para que as pessoas consigam superar traumas, recuperar a sensação de segurança e reconstruir seus projetos de vida.
Profissionais que atuaram em áreas atingidas por desastres relatam que crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos emocionais. Mudanças comportamentais, ansiedade, medo e insegurança são algumas das consequências observadas após situações de emergência.
Outro eixo da campanha é o enfrentamento à desinformação climática. Pesquisadores apontam que a circulação de conteúdos enganosos dificulta a compreensão dos riscos ambientais e pode atrasar a adoção de medidas de prevenção e adaptação.
Para os defensores da iniciativa, investir em saúde mental climática significa preparar comunidades para enfrentar desafios futuros de forma mais resiliente, fortalecendo a capacidade coletiva de recuperação diante de eventos cada vez mais frequentes e intensos.
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