O Espírito Santo registrou um marco histórico no financiamento do setor agropecuário. Entre julho de 2025 e maio de 2026, o crédito rural contratado no Estado atingiu R$ 8,31 bilhões, o maior valor já registrado para o período. Ao todo, foram realizadas 43,3 mil operações de financiamento destinadas às diferentes atividades do agronegócio capixaba.
O desempenho estadual se destacou em comparação ao cenário nacional. Enquanto o volume de crédito rural contratado no Brasil apresentou retração de 10,2%, o Espírito Santo registrou crescimento de 0,3%. Além disso, o número de contratos firmados aumentou 1,1%, ampliando o acesso dos produtores aos recursos financeiros.
O resultado é atribuído ao Plano de Crédito Rural para o Espírito Santo, iniciativa coordenada pelo Governo do Estado em parceria com o Governo Federal e diversas instituições financeiras. Participam da ação o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banestes, Sicoob-ES, Sicredi, Cresol e Bandes.
A proposta foi construída em conjunto com entidades representativas dos produtores rurais e pescadores, priorizando a ampliação do acesso ao crédito, o fortalecimento de atividades estratégicas e a oferta de condições mais favoráveis para os financiamentos.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, os números confirmam a relevância do crédito rural para a manutenção e expansão da produção agropecuária capixaba.
“O Espírito Santo conseguiu ampliar a aplicação de crédito rural mesmo diante da redução observada em nível nacional. O avanço nas modalidades de custeio e investimento demonstra que os produtores continuam investindo na produção, na modernização das propriedades e no aumento da produtividade. Na agricultura familiar, os resultados são ainda mais significativos, evidenciando sua importância para a geração de renda, produção de alimentos e permanência das famílias no campo”, destacou.
Custeio e investimentos impulsionam resultados
Entre as modalidades de financiamento, o custeio foi responsável por R$ 3,66 bilhões, representando crescimento de 8,5% em relação ao período anterior. Foram registradas 19.041 operações nessa categoria.
Os investimentos também apresentaram desempenho expressivo, totalizando R$ 3 bilhões, aumento de 11,9%, distribuídos em 22.983 contratos.
Por outro lado, os recursos destinados à comercialização registraram queda de 28,1%, passando de R$ 2,16 bilhões para R$ 1,56 bilhão. Já a modalidade de industrialização apresentou forte expansão, com crescimento de 35,4%, alcançando R$ 96,49 milhões.
De acordo com o gerente de Dados e Análises da Secretaria da Agricultura (Seag), Danieltom Vandermas, o crescimento nas modalidades ligadas diretamente à produção compensou parte da retração observada na comercialização.
“O aumento dos financiamentos para custeio e investimento demonstra que os recursos continuam sendo direcionados para fortalecer a produção agropecuária e promover melhorias estruturais nas propriedades rurais”, afirmou.
Agricultura familiar bate recorde e amplia participação
A agricultura familiar também alcançou números históricos no período analisado. O segmento contratou R$ 2,82 bilhões em crédito rural entre julho de 2025 e maio de 2026, registrando crescimento de 17,6% em comparação ao ciclo anterior.
Em valores absolutos, isso representa um incremento de R$ 423,1 milhões destinados aos agricultores familiares, que ocupam aproximadamente 75% das propriedades rurais do Espírito Santo.
O número de operações também aumentou, passando de 30,4 mil para 32,6 mil contratos, crescimento de 7,3%.
Com esse desempenho, a agricultura familiar respondeu por cerca de 34% de todo o crédito rural contratado no Estado e concentrou 75,2% das operações realizadas.
Financiamentos fortalecem produção e modernização
Dentro da agricultura familiar, a modalidade de custeio apresentou um dos maiores avanços. Os recursos passaram de R$ 879,7 milhões para R$ 1,10 bilhão, crescimento de 25,1%. O número de contratos aumentou 14,9%, alcançando 13,6 mil operações.
Já os investimentos somaram R$ 1,72 bilhão, alta de 13,3% em relação ao ciclo anterior. Foram formalizados 18,9 mil financiamentos, representando crescimento de 2,4%.
Os indicadores demonstram que os agricultores familiares estão ampliando tanto os investimentos voltados à manutenção da produção quanto os recursos destinados à modernização, infraestrutura e melhoria das propriedades rurais.
O resultado reforça o papel estratégico do crédito rural como instrumento de desenvolvimento econômico, geração de renda e fortalecimento da agricultura capixaba, especialmente em um momento de retração do mercado nacional.
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