O Museu Nacional recebeu de volta um importante conjunto de negativos fotográficos em vidro preservados por mais de um século pela Fundação Biblioteca Nacional. Os materiais históricos haviam sido utilizados pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto em uma conferência realizada em 1913 e permaneceram sob guarda da instituição desde então.
Ao todo, foram restituídos oito negativos de vidro e uma lanterna slide, contendo registros de culturas indígenas, elementos da natureza e exemplares ligados à pesquisa científica. As chapas fotográficas funcionavam como matrizes utilizadas na produção de fotografias positivas em papel.
Entre os itens devolvidos ao acervo estão imagens intituladas “Desenhos simbólicos dos índios Bakairis”, “Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina”, “Maloca dos índios Curutús do Rio Negro”, “Tartaruga sp.” e “Cabeça do último índio Cambeba”, além de registros ligados às expedições científicas do século XIX.
Os materiais passam agora a integrar oficialmente a coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Para a instituição, a restituição representa um marco simbólico no processo de recuperação da memória histórica e científica do museu, especialmente após o incêndio de 2018, que destruiu parte significativa do acervo.
O diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, destacou que o trabalho de recomposição do acervo depende da cooperação entre instituições culturais e científicas.
Segundo ele, a devolução dos negativos reforça o compromisso coletivo com a preservação do patrimônio histórico, científico e cultural brasileiro.
A mediação do processo foi conduzida pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias, após a identificação da existência dos negativos na Biblioteca Nacional.
A análise técnica do material contou com participação do historiador Gustavo Alves Cardoso Moreira e da conservadora-restauradora Ana Luiza Castro do Amaral, responsável pelo Laboratório Central de Conservação e Restauro.
Os especialistas conseguiram relacionar os negativos preservados na Biblioteca Nacional com registros documentais da antiga coleção de negativos em vidro do Museu Nacional, destruída no incêndio ocorrido há oito anos.
Segundo Jorge Dias, cada imagem recuperada representa não apenas um documento visual, mas também um fragmento da memória científica e institucional do país.
O pesquisador ressaltou ainda que os negativos carregam registros de pesquisas, intercâmbios culturais e práticas acadêmicas fundamentais para a construção da história da ciência no Brasil.
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