Cerca de 100 estudantes de escolas públicas do Alto da Independência, em Petrópolis, participam de um projeto educacional que aposta em atividades práticas, criatividade e participação coletiva para fortalecer o protagonismo juvenil dentro e fora da sala de aula.
A iniciativa reúne três frentes principais: educação ambiental, incentivo à leitura e escrita, além de atividades ligadas ao universo dos games e da tecnologia. O objetivo é estimular crianças e adolescentes a desenvolverem soluções e ideias para suas próprias comunidades com apoio de professores e educadores.
O projeto começou no dia 10 de março e, nesta primeira etapa, atende três turmas. A expectativa dos organizadores é ampliar as atividades e alcançar até 1,8 mil alunos nos próximos meses.
Entre as ações desenvolvidas está o “Desafio Verde”, programa voltado à educação ambiental que promove oficinas, dinâmicas colaborativas e mobilização comunitária. A proposta é incentivar os estudantes a atuarem como agentes de transformação socioambiental em seus territórios.
Outra frente é o “Vozes do Alto”, projeto que trabalha leitura, escrita e produção de conteúdo. A iniciativa convida os jovens a observarem o cotidiano da comunidade e transformarem experiências locais em textos e narrativas autorais.
Já o módulo “Arquitetura de Games” utiliza os jogos eletrônicos como ferramenta educativa e cultural. Os participantes têm contato com temas ligados à criatividade, design, trabalho em equipe, tecnologia e possibilidades de carreira profissional.
Criador de conteúdo sobre games há mais de dez anos no YouTube e morador do Alto da Independência, Samuel Barros atua como professor do projeto e também é um dos responsáveis pelo “Torneio Intercolegial de Games”. Segundo ele, o interesse dos estudantes superou as expectativas.
“No início, imaginei que apenas o projeto de games despertaria mais atenção dos alunos, mas os três projetos foram muito bem recebidos”, afirmou.
Samuel destacou ainda que o envolvimento dos participantes vai além das premiações oferecidas para os trabalhos mais criativos.
“Percebemos que o interesse deles não está apenas em ganhar algo em troca. Isso foi uma das coisas que mais chamou atenção durante as atividades”, completou.
Atualmente, participam da iniciativa a Escola Municipal Alto Independência e o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Santos Dumont. De acordo com o idealizador do programa, Victor Prado, novas turmas devem ser abertas já na próxima semana devido à alta procura dos estudantes.
Para Prado, o projeto também ajuda a ampliar a visão dos jovens sobre temas que ainda enfrentam preconceitos ou estigmas.
“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas é fundamental que os estudantes se reconheçam como capazes e saibam comunicar suas ideias. Por isso, leitura e escrita continuam sendo essenciais, mesmo diante das ferramentas digitais”, explicou.
O educador afirmou ainda que a proposta nasceu a partir de anos de atuação em escolas públicas, aliando experiências da educação tradicional às discussões mais recentes sobre tecnologia e inovação no ensino.
Dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2025 reforçam a importância de atividades práticas no ambiente escolar. Segundo levantamento nacional, quatro em cada dez estudantes brasileiros consideram esse tipo de aprendizado essencial para a chamada “escola do futuro”.
A pesquisa aponta que 41% dos alunos do 6º e 7º ano e 39% dos estudantes do 8º e 9º ano consideram as aulas práticas tão importantes quanto atividades esportivas. O relatório também destacou o interesse crescente dos jovens por ações relacionadas à tecnologia e mídias digitais.
O estudo integra o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, realizado pelo MEC em parceria com Itaú Social, Consed e Undime, reunindo opiniões de cerca de 2,3 milhões de estudantes de todo o país.
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