Milhares de indígenas de diversas regiões do país participaram, nesta terça-feira (7), de uma marcha pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte da 22ª edição do Acampamento Terra Livre 2026 (ATL), considerada a principal mobilização do movimento indígena no Brasil.
O ato teve início no Eixo Cultural Ibero-Americano, de onde lideranças e representantes de etnias como tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, krikati e gavião seguiram em caminhada até o Congresso Nacional.
Sob forte calor, os manifestantes percorreram cerca de seis quilômetros pelo Eixo Monumental, ocupando parte da via e levando faixas com mensagens em defesa dos direitos indígenas e críticas ao Legislativo. Entre os principais dizeres estavam “Nosso território não está à venda”, “Marco temporal não” e “Demarcação é futuro”.
A mobilização tem como foco pressionar parlamentares e autoridades públicas. Os indígenas acusam parte do Congresso de avançar com propostas que, segundo o movimento, ameaçam direitos garantidos pela Constituição, especialmente em relação à posse e uso de terras tradicionais.
As lideranças também criticam a atuação de setores como agronegócio, mineração e grandes empreendimentos, apontando influência sobre decisões políticas que permitem a exploração econômica em territórios indígenas.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento reforça pautas históricas do movimento. Antes da marcha, representantes destacaram o caráter pacífico da mobilização, mesmo diante de críticas ao cenário político atual.
Marco temporal
Um dos principais pontos de reivindicação é a rejeição ao chamado marco temporal, tese jurídica que limita o reconhecimento de terras indígenas às áreas ocupadas em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já considerou a tese inconstitucional em 2023. Apesar disso, o Senado Federal do Brasil aprovou, em 2025, uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema, que ainda depende de nova análise da Câmara dos Deputados do Brasil.
Demarcações e reivindicações
Além da pauta jurídica, os manifestantes cobram a ampliação da demarcação de terras indígenas. Segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), entre 2023 e 2025 foram reconhecidos 20 novos territórios, somando cerca de 2,5 milhões de hectares em diferentes estados.
Ainda assim, lideranças apontam que há cerca de 110 áreas em análise e destacam a necessidade de avançar nas políticas públicas voltadas à proteção dos povos originários.
Durante o ato, a deputada federal Joenia Wapichana ressaltou a importância da participação indígena na política institucional e defendeu maior investimento em órgãos como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
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