O mercado fonográfico brasileiro registrou um crescimento de 14,1% em 2025, alcançando um faturamento de R$ 3,958 bilhões, segundo dados divulgados pela Pró-Música Brasil. O resultado reforça a posição do país como um dos mercados de música gravada mais dinâmicos do mundo.
As informações fazem parte do relatório anual da entidade, que reúne as principais gravadoras e produtoras fonográficas em atuação no Brasil. Com o desempenho, o país avançou para a 8ª colocação no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, subindo posições consecutivas — estava em 9º lugar em 2024 e em 10º no ano anterior.
A avaliação da Pró-Música Brasil destaca a trajetória consistente de expansão do setor. Segundo a entidade, o crescimento é resultado direto de investimentos contínuos das gravadoras e de modelos diversificados de parceria com artistas.
O presidente da instituição, Paulo Rosa, ressaltou que este é o 16º ano consecutivo de alta no mercado fonográfico nacional. Ele atribui esse avanço principalmente à consolidação do ambiente digital, após a crise provocada pela pirataria no início da década de 2010.
De acordo com Rosa, o modelo de streaming foi decisivo para a recuperação do setor e hoje sustenta boa parte da receita da indústria. As plataformas digitais lideraram o crescimento em 2025, com arrecadação de R$ 3,4 bilhões — alta de 13,2% em relação ao ano anterior.
O streaming mantém participação dominante no mercado brasileiro, respondendo por cerca de 83% das receitas totais nos últimos anos, alinhado às tendências globais, especialmente na América Latina. O número de assinantes segue em expansão, contribuindo para o fortalecimento do setor.
Apesar de representarem menos de 1% do faturamento, as vendas físicas cresceram 25,6%, impulsionadas principalmente pelo aumento na procura por discos de vinil. Segundo Paulo Rosa, o formato tem ganhado espaço por fatores como nostalgia e estratégia de posicionamento artístico.
O relatório também destaca o aumento na arrecadação de direitos conexos de execução pública, beneficiando produtores, músicos e artistas. Para a entidade, o desempenho geral reflete a criatividade dos profissionais da música aliada ao papel estratégico das gravadoras no desenvolvimento do mercado.
Rosa enfatiza que as gravadoras continuam sendo fundamentais para a descoberta de novos talentos e para o investimento em artistas já consolidados, além de contribuírem para a construção de carreiras sustentáveis dentro e fora do mercado fonográfico, incluindo shows, publicidade e parcerias com marcas.
Inteligência artificial preocupa setor
O avanço da inteligência artificial é visto com cautela pela indústria musical. Segundo Paulo Rosa, há riscos relacionados ao uso não autorizado de obras para o treinamento de sistemas, além da concorrência com músicas geradas por IA.
Ele alerta que o uso indevido de gravações de artistas e produtores sem autorização representa um dos principais desafios atuais, tanto no Brasil quanto no exterior. Para o dirigente, é fundamental que o Congresso Nacional avance na criação de regras que garantam inovação tecnológica com respeito aos direitos autorais.
Fraudes no streaming são desafio crescente
Outro problema enfrentado pelo setor é a ocorrência de fraudes nas plataformas digitais. A prática envolve o uso de robôs e mecanismos artificiais para inflar reproduções de músicas, prejudicando a distribuição justa de receitas entre artistas e produtores.
A Pró-Música Brasil informou que tem atuado no combate a essas irregularidades, encaminhando casos identificados ao Ministério Público. Como resultado, mais de 130 sites envolvidos em manipulação de streaming foram retirados do ar nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025.
Segundo a entidade, essas fraudes desviam recursos que deveriam ser destinados a criadores legítimos, comprometendo o equilíbrio econômico da cadeia produtiva da música.
Histórico da entidade
Criada em 1958 como Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), a entidade passou a se chamar Pró-Música Brasil em 2016. Desde então, atua na representação dos interesses dos produtores fonográficos e na promoção do mercado legal de música, tanto em formatos físicos quanto digitais.
A instituição também é responsável por coletar e divulgar dados estatísticos do setor no país, sendo a principal fonte de informações sobre a evolução da indústria fonográfica brasileira.
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